Qual a sua vaquinha?

Há uma parábola muito bonita que gostaria de partilhar hoje.

Resumidamente, se trata de um sábio e seu discípulo que estão em peregrinação. Cansados da viagem vão se hospedar em uma casa no alto da colina – uma casa muito simples, com uma família bem simples de um casal e 3 filhos, comida escassa até para os membros da família, cujo seu único ganha pão consistia em uma vaca, de onde podiam produzir queijo e vender o leite excedente.

No dia seguinte, antes de a família acordar, o sábio pediu ao seu discípulo que jogasse a vaca precipício abaixo, a fim de ajudar aquela família. Sob protestos o discípulo obedeceu seu mestre e continuaram a viagem.

Ao regressarem avistaram a mesma casa, porém estava mudada, diferente. Havia prosperidade e abundância, os sembantes estavam radiantes – bem diferentes do encontro anterior. Ao seu questionado pelo discípulo, o pai daquela família explicou que depois que a vaca morreu, eles tiveram que procurar outras fontes de renda, e foi aí que descobriram outras formas de ganhar dinheiro e habilidades que até então não sabiam que tinham.

Perder a vaca foi, de fato, doloroso. Mas foi, também, o modo que aquela família aprendeu a sair da acomodação e conformismo no qual estavam inseridos.

Se fosse para você dar uma olhada hoje na sua vida, quais seriam as vacas que te prendem a um modo de vida conformado ou acomodado? O que seria preciso de você desapegar para que sua vida desse uma guinada? O que te prende e te faz ter medo do novo? O que te segura a ir além?

Às vezes é preciso perder para ganhar!

‘O conformismo é o carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento’.

(John Kennedy)

Sobre a Percepção

Quando perguntamos para alguém o que é percepção, a resposta quase que geral é perceber. E está correta! Percepção é a forma de perceber aquilo que está à nossa volta, e para isso fazemos uso dos nossos sentidos. Os sentidos são as ferramentas que utilizamos para interagir com o mundo. Desde Aristóteles, culturalmente, elenca-se cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Há ainda aqueles que apontam um sexto sentido: a intuição (as mulheres são experts no assunto… kkk).

Porém, nem tudo é o que parece. Obviamente somos enganados por nossos sentidos, mas também conduzidos por eles para à luz do conhecimento. Ao olhar para a lua naquela noite estrelada a vemos tão pequena, mas claro que ela é bem maior do que o tamanho que a vemos. Ao ver duas pessoas cochichando e olhando para nós, logo deduzimos que estão falando da gente – e curiosamente, geralmente não pensamos coisas boas.

Daí a importância da percepção, pois os sentidos são as ferramentas. Porém, essas ferramentas devem ser bem utilizadas. Cá entre nós: ver e enxergar são coisas distintas; escutar e ouvir, comer e degustar, cheirar e sentir o aroma, tocar ou tatear, não se tratam de sinônimos exatos (bem, para o dicionário pode até ser, mas para a vida não).

Ouvir, todos os que possuem esse sentido são capazes; porém escutar tem se tornado cada vez mais raro – não à toa, hoje em dia, escutar é uma virtude.

Enxergar, basta ter o sentido da visão, mas ver é um exercício – e olha que tem muita gente que vê coisa onde não tem e não vê coisa onde tem… (brincadeira)

Na correria do dia, sequer temos direito de ter uma alimentação regular, que dirá saudável. Porém, se alimentar não pode ser um mero hábito biológico, mas deve ser encarado como um prazer – apreciar o alimento que se come, degustar cada sabor – elevando o nível do masterchef!

Quando você vai comprar um perfume, não pega o primeiro que está na prateleira – você escolhe aquele que mais gosta e se identifica – opa, eu falei, se identifica? Exato. Cada um se identifica com determinados aromas, ou seja, aqueles aromas identificam quem você é, por meio do perfume que exalam. E por um instante que seja, você potencializou o seu sentido do olfato para além do odor de transpiração ou daquele cheiro desagradável, mas apoderou-se de inspirar o suave perfume do aroma daquilo que lhe é agradável, apetecível e/ou identificável com sua personalidade.

Faça a experiência à noite, ao apagar as luzes do quarto. Até que sua visão se acostume, não será capaz de enxergar nada, mas não significa que os objetos saíram de lugar – eles estão ali. Mas você, por meio de apalpadelas, vai se dirigindo até a cama ou o banheiro, etc. Aí você pode até dizer que já tem memorizado o caminho. Certo. Mas para memorizá-lo, com certeza você passou por esse processo de tatear , ou de arrastar os pés no chão bem devagar. Ou quem nunca verificou o pó de uma mobília tateando o dedo nela? Interessante o quanto o sentido do tato é imprescindível para a relação amorosa entre as pessoas. Pelo toque de um para com o outro é possível perceber o amor.

A percepção é a libertação dos sentidos da esfera biológica. Ela é o meio pelo qual nossos sentidos se elevam e se mostram em sua maior potência, pois um gesto simples de enxergar uma paisagem , por exemplo, se transforma em um estágio de contemplação da natureza.

Perceber o mundo, a si mesmo, as pessoas à sua volta, à natureza, enfim… Exige uma elevação do espírito humano, enquanto humano, nessa escala evolutiva da vida sobe a terra.

Aumente seus níveis de percepção! #ficaadica

Sentimentos e Pensamentos

Você se considera uma pessoa mais emocional ou racional? Age mais pela razão ou pela emoção?

Costumam relacionar razão com o cérebro e emoção com o coração. Infelizmente, se trata de um equívoco. Graças aos avanços da neurociência, hoje podemos dizer que tanto o pensamento lógico quanto as emoções são originadas no cérebro.

Independente disso, há pessoas dizem ser racionais; outras emotivas. Obviamente, podemos perceber traços de raciocínio lógico mais apurados em uns que em outros, bem como notar traços de emoção mais apurados em outros. Pessoas com raciocínio mais lógico tendem a exercer atividades voltadas para a ciência e engenharias; já aquelas que se consideram mais emotivas tendem para às artes, linguagem, atividades físicas. Seria a divisão entre exatas/biológicas e humanas.

Existe um perigo escondido nessa nomenclatura entre ser um ou outro, entre razão e emoção, entre exatas e humanas… Justamente o perigo da polarização. Ninguém é puramente racional e ninguém puramente emotivo. Ninguém é capaz de tomar todas as suas decisões e agir conforme sua razão, caso contrário não seria um humano, seria um robô programável. Contrapartida, ninguém age somente pela emoção, sem qualquer dose de razão.

Não podemos imaginar um reinado absoluto da razão, nem um reinado absoluto da emoção. As nossas tendências, os nossos gostos, aquilo que fazemos refletem muito de quem somos. Mas veja que não somos o que fazemos – fazemos o que somos. Se sou mais emotivo, claro que meu jeito e minhas decisões serão fundadas em um aspecto diferente se fosse mais racional e vice-versa.

A grande chave para abrir as portas de nosso interior e melhor vivência conosco e os que fazem parte da nossa vida, é justamente encontrar esse ponto de gravidade, esse ponto de equilíbrio entre o racional e o emocional.

Não podemos agir pela razão somente, e nem pela emoção somente. Tem que haver uma dose de equilíbrio, a fim de que também nossa vida seja equilibrada. Um bom exemplo é uma carroça. A emoção seria o cavalo que a puxa e a razão o peso dessa carroça. Se a carroça estiver muito leve, o cavalo sai desgovernado, se a carroça estiver muito pesada, a cavalo empaca.

Equilibrar emoção e razão é essencial para o nosso bem-estar. Um pouco de inteligência emocional para todo não faz mal a ninguém, não é mesmo?

No meio do caminho…

No meio do caminho tinha uma pedra . Carlos Drummond de Andrade assim escreve em seus versos.

Sempre há uma pedra no caminho, seja pequena ou grande. Mas, por curioso que seja, as pedras pequenas são as mais fáceis de nos fazer tropeçar, uma vez que tendo visto a pedra grande inevitavelmente nos desviamos; porém, ao não avistar a pedra pequena… Enfim, tropeçamos.

Pedras grandes e pedras pequenas sempre haverão em nossos caminhos. Ocorre que damos muita importância para as grandes, as maiores… Quanto maiores as pedras mais chamam a nossa atenção. Somos hipnotizados pelas grandes coisas e cegos pelas pequenas.

As pequenas pedras, sabe, as pequenas coisas que encontramos no caminho da vida são as mais que, realmente, causam impacto em nossa vida e em nossa história. Focamos aquilo que é apenas passageiro, que com um simples desviar passamos em frente, e nos esquecemos dos pequenos detalhes da vida que fazem a real diferença em nossa história…

Quantos detalhes? Quantas pequenas parcelas significativas não foram tratadas como insignificantes?

Infelizmente, na vida não se volta atrás… Não é possível voltar no tempo cronológico, apenas na memória ou naquele sentimento nostálgico. E esses detalhes vão passando, passando e passando. Aquilo ficou e não volta mais. E o que era importante já não é mais. Passou!

O que fica? O que resta é aquele sentimento nostálgico ou aquela saudade; aquele sentimento de culpa ou arrependimento. Mas ficar preso no passado não nos leva adiante, apenas podemos nos preparar para lidarmos melhor com aquelas pedras que encontraremos em nosso caminho.

Lembre-se que as pedras podem ser usadas, também ara construir, e não somente para destruir. Não se trata de um obstáculo, somente, mas sim como superação. Uma pedra pode ser utilizada para algo bom ou ruim. Que tal pegar as pedras no seu caminho e construir um incrível castelo, onde sua alma poderá se abrigar com aquilo que realmente é valioso para você?

O que fazemos com as pedras é uma escolha nossa!

Somos apenas humanos

Há inúmeros super-heróis no mundo da fantasia, com tantos poderes. Cada um com suas habilidades, que usando para o bem, vencem os inimigos e salvam o mundo de uma destruição calamitosa.

No mundo da fantasia é tudo perfeito. O super-herói, por mais dificuldades que venha a enfrentar, sempre vence.

Na vida real, fora do mundo da fantasia, há tantos outros super-heróis: há aquele que acorda de madrugada para enfrentar as dificuldades do seu dia a dia; há aquela pessoa que tem o dever de cuidar de uma criança e ensinar sobre bondade e generosidade num mundo cada vez mais egoísta; há aqueles que lidam com o sofrimento alheio e sentem seu coração despedaçar mediante a dor do outro; há aqueles que aguentam humilhações e mais humilhações por conta de um salário de miséria; os que enfrentam horas de espera em uma fila para um atendimento nada satisfatório, e tantos outros super-heróis do dia a dia, do cotidiano. Poderia citar tantos exemplos…

Infelizmente gostaria de dizer que você, por mais que lute, não é um super-herói como aqueles dos quadrinhos; você é um ser humano.

Sabe aquele ser humano que precisa se alimentar (claro), que precisa pagar as contas, educar os filhos, cumprir com as exigências e expectativas sociais… Você é esse ser humano, mas também aquele ser humano que precisa olhar no espelho e se perceber uma pessoa que também é necessitada de si. Você precisa descansar, respirar, meditar, precisa amar e ser amado, precisa se divertir… Você não é um super-herói que deve estar sempre à disposição para salvar a todos, você tem limites!

Você é simples e complexo; áspero e delicado; único e coletivo; nascido para amar e ser amado; um ser que se sente imbatível e impotente, enfim…

Você é assim. Um ser humano que acerta e que erra; que sabe e que não sabe; que faz e que não faz. Além de tudo isso, e acima de tudo isso, você é um ser humano que pensa e que sente.

Você já se sentiu a si mesmo por dentro? Você já parou alguma vez para reconstruir os cacos que ficaram quebrados e que estão jogados dentro de ti? Você já percebeu e já se deu o valor inestimável que você pode se dar?

Somos apenas humanos, e não super-heróis!

Cuide-se! Nos sobrecarregamos com tantas e tantas coisas que acabamos nos perdendo de nós mesmos, das pessoas que que amamos e que nos amam, e das atividades que gostamos de fazer.

Afinal, a vida é um breve tempo na terra. Não vale a pena vivê-la de modo apressado ou ligado no piloto automático!

O lado bom da vida

“O homem é o lobo do homem”.

Essa frase é do dramaturgo Plautus (séc III a.C) que se tornou célebre por conta do filósofo inglês Thomas Hobbes que fora inserida em sua famosa obra ‘Leviatã”.

Dizer que o homem é o lobo do homem é afirmar que o maior inimigo do homem é o próprio homem. Hobbes faz essa referência pois quer alertar que, segundo sua filosofia, o ser humano é um ser egoísta, que só pensa, em primeiro lugar, satisfazer suas necessidades e vontades, mesmo que para isso seja necessário passar por cima do outro. O ser humano é mau, em sua origem, em seu princípio.

Certamente já nos deparamos com pessoas assim, egoístas que só pensam em si, que pouco se importam com as necessidades dos outros. Parece não ser um mal social ou fruto do capitalismo. Segundo o nosso filósofo, o ser humano é egoísta e pronto. Há pessoas que insistem em gravitarem sobre si mesmas, ou ainda aquelas que exigem que os outros gravitem ao seu redor… o mundo deve girar ao redor delas, tudo deve estar em função delas, e assim por diante.

Obviamente, essa é a visão de nosso autor (que não está de todo errado). Por outro lado, podemos encontrar pessoas também que fazem a diferença na vida dos outros, que deixam sua marca de modo positivo na vida das pessoas… Há aquelas que não fazem questão da luz do sol, mas se realizam com o brilho da lua (se é que me entende). Pessoas boas de coração que com um simples gesto parecem ter o poder de transformar uma avalanche de emoções negativas em uma brisa leve e tranquila de serenidade.

Pessoas assim, de fato, são cativantes. Que nos mostram não o lado ruim da humanidade, mas o lado bom. Mostram que há chance, que é possível ainda acreditar.

Da mesma forma que existem pessoas assim, capazes de despertar o lado bom da vida, existe em cada um nós potencial para que também despertemos em nós e nos outros essa visão positiva da vida.

É fácil falar em lado bom da vida quando tudo está bem, mas falar sobre as coisas boas quando tudo parece estar ruindo é um desafio e tanto. Mas, sinceramente, focar aquilo que está dando errado, faz com que deixemos de olhar para aquilo que pode dar certo (ou que já está dando).

Às vezes permitimos que algo que não deu certo em um minuto, estrague as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos restantes do dia.

Pergunte a si mesmo se não vale mais a pena ver o lado bom da vida. Vai lá… O poder que tem um sorriso, um abraço, uma palavra, um gesto é inestimável!

O bom da vida é ser feliz. Então seja. Seja feliz do seu jeito, não do jeito dos outros. Cada um tem seu eito, seu modo, sua maneira, sua possibilidade de ser feliz. Não se lamente pelo que você não tem, mas celebre pelo que tem. Veja o lado bom da vida, a presença e não a ausência. Não seja preso ao que te frustrou, ou ao que chateou, ou ao que não deu certo.

Seja livre. Seja você.

Uma nova visão

O filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980) não concebia uma natureza humana, mas sim uma condição humana de existência, ou seja, um conjunto de limites a priori concebidos para esboçarem a situação fundamental do sujeito no universo. Segundo ele, um desses limites a priori é a liberdade, visto que é o seu exercício que move o ser humano durante a sua breve existência. É ela, a liberdade, em seu exercício, que definirá o ser humano enquanto tal.

Se para o filósofo, a liberdade é o valor constituinte da condição humana, e seu exercício é o que o definirá enquanto tal, a máxima sartreana “Não importa o que fizeram de você, mas sim o que você faz com aquilo que fizeram de você”, então as inúmeras situações que passamos por nossas vidas devem, necessariamente, passar por uma ressignificação por nós mesmos. Ou seja, se trata de dar uma interpretação autoral para cada situação que vivenciamos – não se trata de simplesmente assumir aquilo que vem de fora como sendo seu, como situações impostas pela vida e pronto. Se elaborar é justamente a ressignificação de um trauma, a partir do momento que o exercício da liberdade conduz o ser humano à refazer/modificar aquilo que fizeram com ele, a passagem de um processo de heteronomia para a autonomia fica cada vez mais evidente. Neste ponto, convergem a psicanálise freudiana e o existencialismo sartreano.

A vida do sujeito pode ser marcada por diversos eventos, mas é imprescindível que esses eventos sejam postos à mesa e ressignificados. Definitivamente, cada um de nós deve exercer o direito de opinar sobre sua própria vida, deve ter o direito de se manifestar sobre si mesmo. Tem, não só o direito, mas o dever, de sair da platéia, ou de um papel coadjuvante de sua história para exercer o papel principal.

  • Vai ficar no anonimato em sua própria vida até quando?
  • Vai permitir que os outros ditem a sua vida até quando?

“Não importa o que fizeram com você, mas sim, o que você faz com aquilo que fizeram com você”

Você pode tomar uma postura conformista, uma postura de lamentação, uma postura de abstrair e seguir em frente, uma postura de reviravolta e transformar aquilo em uma potência em sua vida.

Aquele abraço!

“É preciso sair da ilha para ver a ilha”

frase icônica de José Saramago.

Para apreciar uma paisagem, seja ela qual for, é preciso estar fora dela, do contrário, você sempre irá apreciar o seu redor. Estando numa praia paradisíaca, você aproveita o momento curtindo, mas pouco é capaz de contemplar a beleza daquele lugar estando ali, será necessário afastar pela costa para apreciar aquele paraíso. Concorda?

Você já reparou que você não consegue se ver se não for por meio de um reflexo? Seja, num espelho, uma imagem refletida na água, no vidro, uma fotografia, etc… Para se ver, você precisa de um reflexo. Caso contrário, ficará fadado a contemplar seu umbigo e a ponta do nariz (risos).

Obviamente, há um processo por trás disso que estou falando. Olhar a si mesmo por meio de uma imagem é o mesmo que sair de si. Credo! Sair de si mesmo para se ver como tal.

Deixe sua imaginação fluir no que estou dizendo: é como se a sua consciência, por um momento, saísse do seu corpo. Ali, então, você conseguiria captar a imagem de si como você realmente é, você conseguiria contemplar a si mesmo, por conta que a sua imagem está fora de você mesmo – foi projetada para fora.

Claro que não estou falando de qualquer tipo de espiritismo ou realismo surreal, ou qualquer tipo de fantasia. Só um modo de exemplificar o processo.

Assim, para se ver, de alguma forma a imagem de quem você é deve ser projetada para fora de você mesmo. Assim, você consegue ver seu corpo. Mas também pode projetar seus pensamentos, seus sentimentos, suas atitudes, a ponto de se ver em outras pessoas, pelo menos aquele ‘algo’ específico. Está entendendo?

Agora vamos supor que numa relação entre pessoas (e espero que você se socialize), ambos tenham a grande dificuldade de se projetar para fora de si. Nesse caso, estariam fadados ao fracasso nessa relação (seja uma relação amorosa, pessoal, profissional, fraterna, e assim por diante). Não haveria modo de se entenderem, pois ambos só conseguem enxergar a partir de seu ponto de vista – precisam desenvolver a habilidade de sair de si mesmo e olhar como alguém de fora – como disse acima, só conseguem olhar para seu próprio umbigo.

Pois bem, quem sou, como estou, o que faço, como faço, o que penso, como penso, o que sinto, como sinto… (ufa) requer uma autoanálise de sair de si mesmo e se enxergar com os olhos de quem vê de fora. Nesse caso, o outro me vê, me percebe, me sente de uma forma diferente da minha. Será que a forma que ele sente é a forma que eu sinto? Mas por que será que ele sente dessa forma? Por que será que ele percebe dessa forma?

O outro pode ser o outro, como também pode ser eu. A partir do momento que eu saio de mim para entender o mundo como a outra pessoa entende, para sentir como a outra pessoa sente me torno o outro, visto o papel do outro em minha vida. Posso ser o outro para mim mesmo, como posso ser o outro para o outro. Enxergar o outro do ponto de vista do outro e confrontar com o meu. Eita exercício hercúleo esse.

O nome dado a esse processo de sair de si, se soltar do seu ponto de vista e ver a partir do ponto de vista do outro é a chave para a EMPATIA.

Diga-se de passagem, como há escassez de empatia hoje em dia… sobra antipatia! Parece faltar empatia para com o outro e para consigo mesmo. Infelizmente.

Pessoas fechadas em seu mundo, em seu ponto de vista, em seu modo de ser, de pensar, de agir… Tão presas em si, que são incapazes para ‘o novo’ em suas vidas. Estão acostumadas a prisão em que se colocaram que perderam a expectativa do ‘e se?’. Perderam de vista as possibilidades, tudo porque se fecharam em seus pontos de vista e excluíram a possibilidade do outro, inclusive a possibilidade delas mesmas se verem como o outro.

Pense em como a sua vida daria um verdadeiro ‘up’ com a vivência da empatia. Pensou?

Meu motivo!

“Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como”, frase do famoso filósofo Nietzsche.

Essa frase diz respeito aos motivos. Uma pessoa motivada, você há de concordar comigo, é uma pessoa cheia de vida, entusiasmada. Já uma pessoa desmotivada é triste. O paralelo entre ânimo e desânimo é inevitável. Uma pessoa motivada é uma pessoa animada; uma pessoa desmotivada é uma pessoa desanimada. Só para esclarecer a relação aqui, a palavra ânima, do latim, significa alma, que é o equivalente de vida. Ou seja, uma pessoa com vida; uma pessoa sem vida.

Os motivos que inserimos em nossas vidas são determinantes para nossa peregrinação. A motivação como um motivo, um alvo, um objetivo, um porquê, se faz fundamental para uma vida cheia de vida. E quanto maior a motivação você tiver, maior será a sua resposta à vida.

Você já listou seus motivos? Seus porquês da vida? Aquilo que faço, por que faço? Aquilo que penso, por que penso? Aquilo que sinto, por que sinto? Aquilo que vivo, por que vivo? Quem sou, por que sou?

Liste seus motivos e motive-se a conquistar a plenitude de sua vida.

Para o filósofo grego Aristóteles, a felicidade consiste na plenitude da alma, em todos os seus âmbitos. Você pode ter algum significado diferente para felicidade. Não importa o significado que você dê para a felicidade, o que importa é se seus motivos são válidos para você e dados por você (não por alguém de fora).

Na correria do dia a dia, nos perdemos em tantas coisas, que chegando à noite, só pensamos em dormir. Fazemos, fazemos, fazemos… São tantas coisas com o verbo fazer! Todavia, se não há um motivo por detrás de cada atitude que tomamos, um motivo realmente excelente, facilmente tornamo-nos robôs. Por exemplo, trabalhar em uma função qualquer, de um empresa qualquer, desempenhando atividade qualquer, somente pelo benefício do salário, faz você se sentir frustrado 29 dias no mês, estando feliz (e olhe lá) somente no dia do pagamento. Está certo isso? Qual a coerência de vida nesse fato? Poderia citar vários outros exemplo, mas acredito que seja o suficiente para pegar o fio condutor do que estou dizendo.

Qual seu maior motivo de vida? Já pensou sobre isso?

Motivo + Ação = Motivação!

Competência nossa de cada dia!

Algo que se ouve falar bastante nos dias de hoje, seja na área profissional ou pessoal é o termo ‘competências’. Ser competente, ter competência é um grande diferencial hoje em dia.

Você sabe o que é competência?
Competência é a capacidade de coordenar, de modo eficaz, diferentes conjuntos de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem um desempenho superior.

Na figura abaixo, podemos ver que uma competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes:

Ou seja, não basta só saber o que fazer, não basta só saber como fazer, não basta só fazer. Ter o conhecimento de como fazer mas não fazer, não faz de ninguém competente. Assim como saber como fazer, mas faltar o embasamento teórico também não faz de ninguém competente.

Quando você busca somente resultados, talvez saber como fazer ajude. Se tratando das coisas da vida humana, não basta só ser eficaz, é preciso ter eficiência, também.

Como existem diferentes tipos conjuntos de conhecimento, habilidades e atitudes, logo, existem diferentes tipos de competências. Ser conhecedor de uma área específica, não me faz competente naquela área – sabe aqueles tutoriais de internet? Então, eles só ensinam como fazer, não torna ninguém competente naquilo.

Em todos os aspectos da vida, buscar a excelência é buscar a competência naquilo que se faz. Ser excelente é ser competente. E isso se aplica em todas as áreas da vida humana. Estar num relacionamento, por exemplo, implica em conhecimento, habilidade e atitude. Um exemplo simples: não basta saber quem é a outra pessoa (conhecimento); assim como não basta saber como agradar a outra pessoa (habilidade); nem basta somente ter atitudes que vão de encontro com a outra pessoa (atitudes). A outra pessoa quer ser conhecida, que ser amada, quer ser respeitada e suas atitudes devem vir de encontro a tudo isso.

Agir por agir, sem sentimento, não quer dizer nada; sentir por sentir, sem se aprofundar na outra pessoa, não quer dizer nada; conhecer os gostos e desgostos da outra pessoa, não quer dizer nada. Um aspecto complementa o outro. Dessa forma, precisa haver competência num relacionamento.

Em nossa vida somos cercados por relações que, para terem sucesso, precisam ser competentes. Seja no campo da afetividade, seja no campo espiritual, profissional, pessoal, etc.

No campo das competências comportamentais, podemos citar seis:

  • Capacidade de decisão: saber ponderar prós e contras para seguir o melhor caminho
  • Empatia: colocar-se no lugar do outro e compreender seu ponto de vista
  • Liderança: capacidade de motivar e influenciar as pessoas
  • Controle emocional: reconhecer suas emoções e saber administrá-las
  • Antecipação: não ficar esperando as coisas caírem do alto; ser proativo
  • Automotivação: capacidade de manter-se motivado

Essas são apenas competências comportamentais que todos nós devemos evoluir e aprimorar. Claro que existem outras inúmeras competências. Como evoluir as competências?

Martin Seligman, em sua obra, Felicidade autêntica, elenca 6 virtudes ubíquas, ou seja, virtudes que estão presentes em quase todas as culturas e povos. Elas são fundamentais para a evolução e aprimoramento dessas competências comportamentais citadas acima, e todas as outras:

  • A sabedoria e o conhecimento: gosto pela aprendizagem;
  • A coragem: bravura, perseverança e integridade;
  • A humanidade: bondade e amor para se dispor a ajudar os outros e a si mesmo;
  • A justiça: cidadania, imparcialidade e liderança;
  • A temperança: autocontrole, prudência e humildade;
  • A Transcendência: engloba tudo aquilo que vai além do que é possível enxergar

Claro que não se trata de um manual, apenas um post. Espero, de coração, que cada um possa estimular a sua própria excelência (competência) aprimorando-a e fortalecendo-a.

Lembre-se que as competências não são fixas. Você pode exercitá-las.

Abraço.