Em 1516 o filósofo inglês Thomas More escreveu uma obra intitulado “A utopia”.
Obviamente o intuito deste texto não é transmitir um resumo da obra, mas sim, uma pequena análise.
O filósofo viveu entre os séculos XV e XVI. Foi um grande defensor da liberdade de pensamento e crítico da sociedade contemporânea. A obra se trata de uma crítica ferrenha à Inglaterra de sua época, e um convite para uma sociedade imaginária que seria considerada a ideal pelo autor – contrapondo os pontos de injustiça e intolerância vivenciadas.
A palavra utopia pode ser traduzida, literalmente, como o ‘não lugar’ – aquele lugar que não existe. No romance o protagonista se lança em uma viagem rumo à utopia.
O que gostaria de explorar neste texto é justamente o fato de que, independente de existir ou não, de haver uma sociedade perfeita, justa, boa, e com todos os atributos que sejam dignos de louvor… Enfim, não se trata, especificamente, de um lugar, mas de um modo de vida. Modo de vida esse que devemos, nós mesmos, construir.
Ir a um lugar que não se está requer uma mudança, ou várias mudanças: mudança de lugar, de costumo, de pensamento, de paradigmas. alcançar o novo requer que se mude o antigo, caso contrário, será apenas mais do mesmo.

Além disso, a viagem até a utopia se trata, também, de uma viagem de esperança, onde espera-se alcançar esse estado de harmonia – daí o nome de utopia ser entendido como um sonho que é inalcançavel. Mas aí nos deparamos com uma das grandes virtudes da vida humana: a esperança, o sonho. Não à toa a esperança foi a única a se manter dentro da caixa de Pandora!
Para alcançar um sonho, muitas das vezes requer que haja mudança de hábitos, de rotina, de visão de mundo. E esse sonho só será alcançado se houver luta e empreendimento para tal.
Ficar estagnado na mesmice não adiantará de nada.
A obra de Thomas More, deixando de lado os aspectos filosóficos / políticos / sociológicos, pode nos proporcionar uma grande lição para a nossa vida… Dar um upgrade em nossa mente e em nossa alma. Vivemos em um mundo cerceado por desespero, desesperança, morte e destruição. Aquele que preserva dentro de si a chama acesa – mesmo que bruxuleante – da esperança, da capacidade de sonhos, criar, se reinventar… Esse consegue alcançar um raio de visão além daquilo que se vê.
Há os que conseguem enxergar com uma visão dilatada da mente e da alma; há os que se limitam à visão da retina dos olhos.
