Medo do novo?

Estava refletindo esses dias o quão arrebatador pode ser o medo do novo. A novidade, o novo, aquilo que não se conhece é capaz de gerar medo, mas também expectativas… e grandes expectativas, por sinal.

O novo é um modo diferente do qual estamos acostumados. Nesse sentido, o novo é somente um modo de ser ou estar diferente daquele que estamos habituados. Diga-se de passagem, o ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar. Mesmo assim, o novo assusta!

Heidegger (1889-1976) foi um filósofo alemão. Sua grande obra Ser e tempo (1927) pode nos ajudar nessa reflexão.

É óbvio que você não é uma caneca ou qualquer outra coisa. No caso dessa caneca, ela será sempre uma caneca e sequer tem consciência de ser uma caneca. Você, ao contrário, é um ser humano. Mas olhe para a grande maravilha disso: um ser humano (o único ser na natureza) que tem consciência de si. Você é um ser que existe e tem consciência de sua existência. Por isso mesmo, nós somos seres humanos que vivem de modos diversos uns dos outros. Além disso, em sua própria vida, devido à sua consciência de si, já foram inúmeras as mudanças ocorridas no seu corpo físico, no seu modo de pensar, nos seus gostos, amizades, etc.

Pare agora! Caramba… você já passou por inúmeras mudanças e continuará mudando. Mas o novo assusta.

Estou te dizendo o seguinte: você é uma pessoa que tem todas as possibilidades em si, ou seja, você é um ser que vive em constante ‘vir-a-ser’. Agora o que te resta, depois de todo o exposto, conforme o pensamento de nosso amigo Heidegger, é a vivência de uma linguagem autêntica. A linguagem é uma forma de comunicação, e essa comunicação é fundamental para expressar-se com o mundo à sua volta. Assim, o tipo de linguagem que você comunica vai determinando o seu ser. Se você comunica uma linguagem autêntica, ou seja, aquilo que você é, o mundo interpreta essa linguagem como uma comunicação autêntica. Por outro lado,

se você não comunica uma linguagem autêntica, ou seja, quem você é (de fato!), que tipo de linguagem você tem comunicado?

Como sua linguagem é imprecisa, o mundo te impõe a linguagem dele; assim, você deixa de comunicar sua própria linguagem abrindo mão de todas as suas possibilidades, para comunicar a linguagem do mundo. Em outras palavras, deixa de viver a sua própria vida para viver a vida que o mundo te impõe.

É isso mesmo que você quer para você?

Uma linguagem autêntica é aquela que você, sendo você mesmo, exerce uma vivência sem o medo daquilo que os outros irão pensar, sem viver uma vida de auto represália, uma pseudo liberdade, deixando de fazer suas próprias escolhas e tomadas de decisão por conta de uma força externa a você que como te impõe a agir de determinada forma.

Voltando ao assunto… o medo de fazer o novo, de ser o novo, de pensar novo (leia-se também diferente) assusta por conta de uma insegurança, que muitas vezes, por trás dela, está o comodismo de outros dirigirem a sua vida e no momento que você precisa, de fato, tomar uma decisão por sua conta em risco, há o receio.

Uma tomada de decisão por conta própria é essencial para o processo de maturação do ser humano, e faz-se necessária para a comunicação de uma linguagem autêntica.

É como estar à mesa de um restaurante e o acompanhante perguntar a sua preferência no cardápio. E aí? Qualquer coisa serve?

Não foi à toa a imagem destacada da borboleta! É necessário passar pelas metamorfoses da vida.

Somos tão únicos!

Você já parou para pensar….

Vivemos em um planeta fascinante, com uma natureza espetacular…. São seres vivos de milhares de espécie que dividem e vivem em um único planeta: a Terra.

A Terra é o terceiro planeta daquele que chamamos de Sistema Solar, cuja estrela é o Sol. Todavia, graças a os avanços da ciência hoje sabemos que o Sol é somente uma estrela no meio de milhões de outras estrelas que, juntas, compõem o que chamamos de galáxia – a Via Láctea. Entretanto, a Via Láctea é somente uma galáxia no meio de milhões de galáxias que, juntas, formam o Universo.  Pela teoria da relatividade, hoje já não falamos mais em universo, mas em multiversos…. Nesse espaço infinito encontramos asteroides, constelações, buracos negros, nebulosas, pulsares, e tantas outras coisas.

Depois de toda essa apresentação (voltando para a Terra) perguntamo-nos quem nós somos? Incrível que um infinito acima de nossas cabeças exista e possa nos engolir a qualquer momento.

Imagem da Nebulosa de Órion. Fonte: Revista Galileu

Se já estava dramática a cena acima, imagine agora que na Terra existem cerca de alguns milhões de espécies de seres vivos. Dentre essas milhões de espécies há uma especifica que chama a atenção: o homo sapiens – a humanidade. Essa espécie ‘homo sapiens’ possui um registro de cerca de 7 bilhões de indivíduos e você é apenas um deles. Ou seja, você é um indivíduo de uma espécie de 7 bilhões de indivíduos que habita um planeta que comporta de 3 a 4 milhões de espécies conhecidas. Todas essas espécies habitam um planeta chamado Terra que é apenas o terceiro num sistema solar que é apenas um dentre milhões de tantos outros que formam uma galáxia, que por sua vez é apenas um dentre outras milhões que formam o universo.

Gerson? Oi. Me empolguei…. Cara, incrível, mas olhando sob esse espectro, não somos nada!

Por outro lado, incrível como você e eu e cada um dos indivíduos dessa espécie ‘homo sapiens’ é único. Ou seja, não há repetição. Você é único e não existe ninguém no mundo igual a você. Por mais que as combinações genéticas beirem o 100%, mesmo assim, não empata nos 100%. Meus parabéns!!! No meio de todo esse infinito vasto, você ainda é único!

Não queira ser como os outros. Seja você mesmo. Se ame como um ser singular que existe na Terra. Faça a diferença e busque a melhor versão de si mesmo. Afinal, você é único. Nunca houve e nem haverá alguém igual a você!

Todos nascemos originais e morremos cópias, dizia Carl Jung. Chegou a hora de viver a sua originalidade!

Em busca de sentido

Viktor Frankl (1905-1997) é o fundador da logoterapia – psicoterapia fundamentada na busca de sentido. Para a Logoterapia, o indivíduo deve buscar a superação de si e daquilo que o circunda por meio da busca do sentido. Nessa linha existencial, como ele mesmo retrata em seu livro “Em busca de sentido – um psicólogo no campo de concentração, a força que estava por detrás da superação dos campos nazistas era a busca do sentido de sua existência.

Não querendo me aprofundar na Logoterapia, até porque me falta gabarito para tal, mas o que percebo são pessoas alienadas vivendo em uma sociedade alienada, exercendo atividades alienadas e alienantes, porque perderam algo. Sabe aquele brilho no olhar?

É como a novidade de um encontro com a pessoa amada, ou a expectativa do primeiro dia de aula ou de trabalho…. A novidade! O Novo pode assustar, mas me parece que permanecer na mesmice é mais assustador. Não é a mesmice daquilo que se vive, mas a mesmice de encarar tudo da mesma forma…

Talvez o que te falta hoje não seja mudar a sua rotina, mas mudar o modo de encarar a sua rotina. Quem sabe? Uma rotina, seja ela qual for, não é boa nem ruim. Mas o modo como lidamos com ela é o que a torna boa ou ruim, interessante ou monótona.

Um relacionamento de tantos anos, o mesmo emprego tantos anos, a mesma casa tantos anos… Como a canção: “a mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim…” Vai enxergar sempre o mesmo e viver assim, ou prefere buscar o sentido de todas essas coisas?

Mas Gerson… Não vejo sentido nisso que estou fazendo! Que tal imputar um sentido para a sua vida, então?

#ficaadica

Onde está o teu tesouro?

A filosofia estoica nos traz o ensinamento de que a felicidade consiste no desapego da vida, ou seja, quanto mais desapegado das coisas e das pessoas, maior a felicidade: é a busca da ataraxia (termo grego que pode ser traduzido por ‘paz de espírito’)

Bem, hoje vemos pessoas tão aceleradas, correndo em busca de ter e acabam deixando de lado o ser. É como costumo dizer:

‘as pessoas são queridas pelo que elas possuem e não por quem elas são’

Ao meu ver, há um investimento que vai muito além do financeiro. Não se trata somente d eum investimento financeiro, mas outro tipo de investimento. Afinal de contas, a roda da nossa vida não consiste apenas naquilo que temos, mas em quem somos e nos vínculos que criamos.

Há uma busca frenética pelo ter: ter o carro do ano, as roupas de marca, vários imóveis, ter isso, ter aquilo… Mas há tempo de investir a sua vida no verdadeiro tesouro que é você e seus vínculos afetivos?

Se morresse hoje, que falta faria? (questionamento esse que Mário Sérgio Cortella nos traz). Será que as pessoas sentiriam falta de quem você é ou do que você pode lhes dar enquanto bens materiais?

De fato, os bens espirituais são muito mais elevados que os bens materiais!

Investir na família, nos amigos, nos vínculos afetivos, no seu bem-estar espiritual: eis um verdadeiro investimento que gera lucro!

Pense nisso! As pessoas correm atrás de possuírem inúmeras coisas, mas perdem a oportunidade de serem pessoas melhores, que deixam sua marca registrada na vida das outras pessoas, um verdadeiro legado e patrimônio espiritual que jamais será esquecido.

Desapegue-se dos bens materiais e se apegue ao que, verdadeiramente, tem valor inestimável.

Seja você mesmo!

Sartre foi um filósofo francês do século passado. Ele tem uma frase muito significativa:

“Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”

Muitas vezes vivemos nossa vida muito preocupados com a opinião das outras pessoas… Ah, o que será que vão pensar? É um fato que somos influenciados pelo meio em que vivemos: família, escola, trabalho, amigos e outros. Somos influenciados e bombardeados pelas mídias sociais. É tanta informação que mal conseguimos administrar tudo o que recebemos ao longo do dia.

É tanta influência que podemos nos perguntar: será que somos quem somos ou somos o fruto do meio em que vivemos? Volta a dizer: Toda essa influência que recebemos nos faz viver tensos preocupados com a opinião dos outros ou com aquilo que os outros vão pensar, falar, etc.

E é tanta preocupação que acabamos por deixar de viver por nós mesmos e vivemos em função dos outros.

Por isso, lanço a seguinte provocação: O que você tem feito com aquilo que as pessoas fazem de você?

Lanço essa provocação porque é essa influência que recebemos é um fato. Mas aquilo que fazemos é algo que depende exclusivamente de cada um. Pode ser que você esteja passando por uma dificuldade imensa devido uma situação específica. Enfim, essa situação é algo que está acontecendo, mas a forma como você lida com isso, depende exclusivamente de você.

Se trata de começar a ter o controle de si próprio frente aquilo que se passa fora de nós.

Você é o autor de sua história! Não deixe que os outros escrevam ela por você!

Está na hora de ter um diálogo sério com a pessoa do espelho e se decidir por você!

Que tempo é agora?

 

Estava refletindo em como as pessoas andam cada vez mais alucinadas. Você já se questionou sobre isso? Ou talvez você mesmo esteja nesse estado e nem perceba… Talvez….

Pessoas alucinadas, andando de lá pra cá e de cá pra lá, tão distraídas com aquilo que está acontecendo ao seu redor, simplesmente pensando que estão atrasadas ou nas infinitas coisas que precisam fazer (e talvez nem consigam fazer).

Ao meu ver (é meu modo de entender – você é livre para discordar ou concordar), as pessoas, cada vez, têm excluído o presente de suas vidas, vivendo muito no passado ou futuro, mas não aproveitando o tempo presente.

Pensamos que o passado é um tempo que passou e não volta mais, que existe somente nas memórias daqueles que o vivenciaram ou em documentos. Você há de concordar comigo que não há como mudar o passado…. O que passou, passou! Mas quando as pessoas vivem o seu tempo presente no passado, elas deixam de experienciar o seu presente e passam a lamentar o passado, se arrependem daquilo que fizeram ou não fizeram, carregam culpas daquilo que fizeram ou não fizeram. Infelizmente, vivendo o passado no presente, perde-se a oportunidade que o tempo presente nos presenteia. Trazemos muitas experiências do passado tornando-o cada vez mais presente que chegamos a sufocar o próprio presente em nossa vida.

Por outro lado, há aquelas que enfatizam tanto o futuro que despertam uma ansiedade tão aguda, tão forte e tão feroz que estrangula o presente. Esquecem-se que o futuro, tão esperado, pode nem acontecer. Sufocam suas emoções, suas experiências, os pequenos detalhes que as circundam que não lhes resta tempo presente para as pessoas mais próximas. Esquecem que…

a beleza da vida consiste no grande potencial de cada ser humano contemplar o extraordinário no meio do ordinário.

Esquecem que a vida consiste no aqui e agora. O que você pode fazer de diferente, deve fazer agora; não no passado nem no futuro. O futuro será uma construção daquilo que fizermos no presente; o presente é o resultado daquilo que fizemos no passado. Todavia, o presente não é imutável, ele é flexível e depende totalmente da nossa percepção de vida para que o façamos.

Quantas pessoas doentes, delirantes, estressadas, amarguradas, tristes, vazias, e tantos outros sintomas, porque essas mesmas pessoas, em algum momento, perderam a percepção de seu presente e se ocuparam demasiadamente com o passado ou com o futuro. Se tornaram cheias de tantas coisas que perderam a percepção de si mesmas e consequentemente daquilo que é a vida.

Já dizia Horácio (filósofo romano): “Carpe Diem!” E aproveitar o dia é aproveitar o presente. Aproveite o presente para fazer a diferença. Aproveite o presente para se fazer diferente. Olhe para si e perscrute as vias do seu coração para extrair o que há de melhor em si! Lapide a melhor versão de si! Faça valer a pena o hoje!

Há uma preocupação excessiva com o Kronos que a figura de Kairós acaba despercebida!

Kronos, na mitologia grega, grande senhor do tempo que engole seus filhos e vai nos engolindo… Kairós, o filho de Zeus da oportunidade!

 

Que o amor não seja fingido…

Às vezes, a realidade dá um jeitinho de vir de fininho e dar um beliscão na tua bunda. E quando a represa estoura, a única coisa que você pode fazer é sair nadando. O mundo do fingimento é uma jaula, não um casulo. Nós só conseguimos mentir pra nós mesmos por um tempo. A gente fica cansado, com medo e negar isso não muda a verdade. Cedo ou tarde, a gente tem que deixar a negação de lado e encarar o mundo. Ande com a cabeça erguida, com vontade. O Nilo não é apenas um rio no Egito – é todo um oceano. Então como você faz para não se afogar nele?

Esse discurso está na série Grey’s Anatomy (2×04).

Esse discurso me fez pensar em como suportamos tantas coisas, tantas provas. Sufocamos tantos sonhos, tantos desejos, tantos pensamentos que, inevitavelmente, acabam represados em nossa alma. Infelizmente, à maneira da água, somos sufocados. Não aguentamos tanta pressão e nos vemos submergidos.

Desde a infância, passando pela adolescência, chegando à fase adulta e culminando na senelidade. Tantas coisas que vamos vivendo e essas lembranças não se apagam. Pois é. Elas não se apagam – mesmo que não lembremos, elas estão lá em algum lugar do nosso inconsciente.

Mentiras, ilusões, alegrias, esperanças, desejos… Quantas coisas ficam gravadas em nós. Somos aquilo que fazemos, somos aquilo que pensamos, somos aquio que sentimos. Somos também todas as nossas lembranças. Umas apontam para o nosso passado, outras para o nosso presente, outras ainda, para o nosso futuro. Mas não podemos negar quem somos.

Somos o resultado de uma grande, exuberante e formidável construção que parece não ter fim. Estamos em constante construção e re-construção. Nos reconstruímos, nos refazemos, nos modelamos todos os dias. Mas não desanimamos, pois o desânimo é um claro sinal de derrota. Pelo contrário, partimos em busca de algo que nos motiva, nos impulsiona a continuar vivendo, indo além… E esse algo é, na verdade, o reflexo da construção da melhor versão de nós mesmos.

Entre trancos e barrancos, como soldados feridos, vamos lutando na vida. Concorde comigo ou não, mas a verdade de si deve ser a base para essa luta constante que travamos com nós mesmos. A verdade deve ser o vínculo de nossas relações. Como falou nossa narradora: o fingimento é uma jaula e não um casulo – a jaula aprisiona; o casulo transforma.

Você pode não ser a melhor pessoa do mundo. Nem por isso precisa fingir que é. Não seja o que voce não é. Se assuma enquanto tal. Como diz o apóstolo Paulo, ‘que nosso amor não seja fingido’, nem pelos outros, nem por nós mesmos.

Concorda?

Não sei se eu caso ou compro uma bicicleta…

Esses dias estava acompanhando uma dessas séries da Netflix. Em um diálogo dos personagens algo me chamou muito a atenção: ‘Você não pode duvidar de suas escolhas’. Se tratava de uma pessoa bastante insegura sobre suas decisões. Na mesma hora em que ouvi aquela frase me veio à mente que, realmente, não podemos duvidar de nossas decisões, pois a dúvida deve anteceder à decisão.

Se tomarmos uma decisão, seja ela qual for, não podemos ficar com dúvida da decisão tomada, não podemos ter insegurança. Precisamos ser assertivos!

É claro que não estou falando daquelas decisões que são menos importantes em nossa vida, como qual a comida iremos comer, qual filme iremos assistir, onde vamos no feriado ou qualquer coisa assim. Estou falando daquelas decisões que de alguma forma irão impactar em nossa vida e até mesmo na vida dos outros (se bem que tem um monte de gente com imensa dificuldade em tomar decisões até para essas coisas simples).

É essencial saber tomar decisões a fim de se alcançar uma vida mais próspera, seja nos âmbitos pessoal, amoroso, social, profissional, financeiro, etc.

O processo de tomada de decisões requer, em primeiro lugar, autoconhecimento. O autoconhecimento, além de mostrar os pontos fortes e fracos, é totalmente relevante para identificar o que realmente importa para si.

Como disse acima, nunca devemos questionar as decisões que já foram tomadas. Elas devem ser questionadas antes de serem tomadas. A falta de uma análise abrangente da situação, uma visão mais holística da coisa e o excesso de opções são inimigos ferozes dessa tomada assertiva. Não adianta ficar lamentando o leite derramado, como dizia minha mãe.

Você já ouviu falar em ‘assertividade’?

Uma pessoa assertiva é aquela que demonstra segurança ao agir. Ela se comporta de maneira firme e clara, demonstrando resolução e decisão em suas palavras.

Mas como chegar a esse ponto? Bem, ser assertivo nem sempre significa estar certo ou errado, mas em agir da melhor forma possível, ter a melhor postura possível, tomar as decisões da melhor forma possível. Não se trata de um manual de perfeição ou de ‘como nunca errar’, mas de percorrer o melhor caminho possível para ter tranquilidade, segurança e confiança em suas decisões e com as pessoas.

Ser uma pessoa assertiva significa ser capaz de encontrar soluções sem anular seus desejos e necessidades. Portanto, não é ser uma pessoa passiva, o ‘bobão da turma’, mas encontrar o equilíbrio entre o comportamento passivo (daquele que se anula) e o comportamento agressivo (daquele que não cede jamais). Compreender as próprias necessidades e as necessidades dos outros é de suma importância para a assertividade. Saber encontrar soluções para um conflito de maneira equilibrada, eficiente e construtiva – sabendo seus próprios limites, direitos e desejos, como os do outro.

Pessoas assertivas, em geral, são mais felizes. Sabe por quê? Pelo simples fato dessas pessoas não ficarem remoendo suas decisões, se lamentando por elas, pelo que fizeram ou pelo que não fizeram. Elas questionam-se antes da decisão tomada – procuram a melhor forma de determinarem seus objetivos, analisam as consequências, buscam o equilíbrio – por meio do autoconhecimento.

Questionar-se é um dom. Mas não questione suas decisões. Elas já foram tomadas. Se não foi a decisão mais correta, ok. O que você vai fazer? Vai ficar se lamentando? Não!!! Hora de agir de forma melhor/diferente, lembrando que insistir não é o mesmo que persistir.

Seja assertivo consigo mesmo. Seja mais feliz!

Abraço.

O inferno são os outros?

Na obra de Jean Paul Sartre, filósofo francês, Entre Quatro Paredes’ ele narra a convivência de pessoas de uma forma bem pessimista, onde os conflitos que vivemos são causados pelos outros – os outros são os culpados pelas coisas errados – eles são o nosso inferno.

Bem, estamos falando de relações.

Boi, boi, boi… Boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta…

Quem nunca ouviu essa canção? Pelo menos uma vez na vida você já deve ter tido contato com ela. Costumeiramente nos deparamos com essa canção como uma daquelas de ninar, para fazer uma criança dormir. Não é verdade?

Convenhamos, que canção mais horripilante para fazer alguém dormir, não? Na base da ameaça. Dorme, menino (a), senão o boi da cara preta vem te pegar. Quantas outras canções você conhece que se enquadram nesse molde?

Vejo que isso, de certa forma, faz parte da base e educação que recebemos: o medo. Segundo Emilio Mira Y Lopez, o medo é um dos quatro gigantes da alma. O medo não só é um instinto natural, mas manipulável. Manipula-se o medo a favor do opressor contra o oprimido. Isso em diversas instâncias: na família (se não fizer isso vai ficar de castigo); na escola (se não fizer a lição e se comportar vamos convocar seus pais); no trabalho (entregue o relatório no prazo senão será demitido); e assim vai.

O medo faz parte da vida humana e serve como uma referência para a sobrevivência. Na segurança (moradia, integridade física, sua saúde, seu psicológico – daí a necessidade de tantos seguros que existem no mercado); na economia (alimentação, dinheiro, trabalho); na sociedade (contratos para todos os gêneros possíveis); na vida afetiva (relacionamentos que trazem segurança, medo de traição, ciúmes)

Percebeu como o medo está em todo lugar?

Por causa dele (o medo), os primeiros seres humanos, em busca de segurança, passaram a viver juntos como uma forma de protegerem-se contra os ataques inimigos. Infelizmente, os seres humanos não só se defendiam contra os ataques de outras espécies, mas tiveram que se defender de si próprios, contra indivíduos da sua própria espécie – o mal de Caim.

A coisa não mudou muito nesse tempo, uma vez que parece ser o próprio ser humano seu maior inimigo. Ao longo de nossa vida construímos relações de amizades e afetos, mas também relações capazes de nos destruir – tornam-se nossos inimigos (recomendo a leitura de um livro do Pe. Fábio de Melo chamado ‘Quem me roubou de mim?’). De uma maneira hipotética posso exemplificar amigos ou inimigos: pai, mãe, irmão, parentes, cônjuge, amigos, colegas de trabalho, patrão, etc… a lista se estende. Em todos esses tipos de relação podemos construir relações que edificam ou relações que destroem, podemos nos unir para nos protegermos contra os ataques de fora ou devemos nós mesmos nos protegermos contra os ataques internos.

O medo pode unir, mas afastar. Afasta quando utilizamos o medo contra o outro e nos defendemos por meio do ódio e do preconceito, da injúria, da calúnia, da inveja, da difamação, do erro, da ganância, e assim por diante. Por trás de tudo isso, na maioria das vezes, encontramos o medo: medo do outro ser melhor que eu, medo do outro me superar, medo do outro tomar meu lugar, medo do outro fazer melhor que eu. Voltamos, assim, ao início deste post: o inferno são os outros.

Fonte: Pinterest

Vivemos uma vida com medo. Contudo, o medo pode ser usado ao nosso favor, quando se criam relações que edificam (no caso dos primeiros seres humanos formando suas tribos), relações que geram segurança, proteção, respeito, partilha.

Ao encararmos o medo numa visão positiva, há união. Usa-se o medo como uma forma de construir pontes, ou seja, ligações, relacionamentos que se juntam. Ao passo que encarar o medo de forma negativa, faz com que construamos muros e barreiras, justamente porque almejamos evitar esse inferno, esse problema, esse percalço no caminho.

E aí? De que lado você prefere estar?

Newton dizia que “construímos muros demais e pontes de menos”.

Prefere construir pontes ou levantar muros?

Conhece-te a ti mesmo!

Cada vez mais se ouve as pessoas falarem em diário para registrarem seus dias, seus sentimentos, suas emoções. No campo da psicologia, muitos profissionais recorrem à escrita terapêutica, afirmando que é possível transformar a escrita numa ferramenta de superação da dor ou de um sentimento negativo. No campo da literatura, a escrita é fundamental, e quanto mais enriquecida de detalhes, mais rica será. Fato que a escrita exige imaginação, memória e raciocínio (três ferramentas básicas do nosso intelecto).

Realmente, escrever pode ser libertador, pode ser motivador, pode ser engenhoso, pode ser algo fantástico. A escrita registra o fato, mas pode registrar os sentimentos e as emoções. A escrita tem se popularizado, seja num diário, num post, num blog, em livretos, livros, etc. Porém, há um lado triste da popularização da escrita, uma vez em que é possível detectar casos em que as pessoas que a utilizam somente para serem lidos, como uma forma de espetáculo – utilizam a escrita como propaganda (no caso do meu blog, de certa forma, seria uma propaganda). Adotar a escrita como uma ferramenta de propaganda é não usufruir de todo o seu potencial (cf. Cortella, 2018, p. 119-123).

Vejamos o caso de um diário. Escrever fatos e acontecimentos, simplesmente por escrever, ou na expectativa de que alguém leia, é diminuir o poder da escrita e de seu próprio diário como benefício próprio. O mais importante da escrita de um diário não é o fato em si, mas os sentimentos e emoções por detrás de cada fato – agindo assim, o diário se torna uma ferramenta de autoconhecimento. Duvidar das certezas, levantar questionamentos sobre as atitudes, organizar experiências, identificar as emoções e sentimentos são técnicas para a escrita de um diário que leve ao autoconhecimento.

Você há de convir que ao escrevermos, revelamos algo de nós mesmos no texto. Nossas palavras podem durar mais do que uma simples caminhada, por exemplo. O texto permanece e nos representa. Apesar do tempo que se passa, nossa identidade, nossa personalidade permanece naquilo que foi escrito. Pode ser uma personalidade daquele determinado momento da vida, mas permanece.

Heráclito, filósofo grego, afirmava que tudo flui. Levando essa sentença em consideração fácil perceber que ele não estava errado. Tudo muda! Inclusive nós.

Olhar para uma foto nos faz lembrar daquele determinado momento; ler um texto nos faz imaginar e vivenciar aquilo. E percebemos que já não somos mais os mesmos. Nostalgia e/ou saudades vêm à tona com um turbilhão de sentimentos. Fazer uma retrospectiva da vida é algo essencial para nosso autoconhecimento. Quem éramos? Quem somos? Como flutuaram nossos pensamentos e sentimentos ao longo de nossa via?

Dizem que você é aquilo que você faz (Michel Franklly). Será? Por que você faz aquilo que você faz? Prefiro pensar que somos aquilo que pensamos, sentimos e fazemos (Emanuel Becker).

Por isso, convido você a escrever o seu dia, de forma a descrever a melhor forma possível de como você esteve, e não o que fez. Faça isso por uma semana e verá que seu nível de autoconhecimento dará um upgrade incrível.