Meu Pôr do sol

Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto aquilo que não pode se comprar, mas simplesmente receber de forma espontânea e gratuita. A gratuidade de um gesto, de um abraço, de um sorriso, de um ombro amigo, de alguém para estar contigo livre de interesses, de um amor, e tantas outras coisas que poderia citar aqui (mas que com certeza, você listou em sua mente).

Quantas não são as pessoas carentes de um gesto de carinho ou de um ‘eu te amo’ verdadeiro? Pois é, eu conheço várias assim. Acredito que você também. Conheço muitas pessoas que tem várias coisas, mas lhes falta algo que preencha o interior delas, são abastadas por fora, mas miseráveis por dentro, são ricas em suas contas bancárias, mas pobres em seu interior, possuem grande poder aquisitivo, mas carentes de amor, atenção, carinho. Quantos não são os pais que provém seus filhos de todas as coisas menos de atenção? Ou os filhos que sequer reparam na presença dos pais?

Isso me leva a pensar que apreciar a vida é um exercício rotineiro que enobrece qualquer um, imputa um sentido maior para a nossa breve existência na terra. Um exemplo disso é o sol. Em muitas culturas antigas o sol era cultuado como um deus. Esse culto ao sol pode-se perceber até hoje. Muitas pessoas se aglomeram em vários pontos, seja no campo, na cidade, na praia, para apreciar o pôr do sol. Não só contemplam o seu pôr, mas o aplaudem.

Pedra do Arpoador – Rio de Janeiro

Veja os cariocas, por exemplo, se reunindo na pedra do Arpoador para o pôr do sol. Se reúnem como um ritual.

Afinal, o pôr do sol, tem algum significado?

O pôr do sol é complemento de um ciclo da terra em torno de si mesma, ou seja, o dia. É, portanto, a oportunidade de olhar para si mesmo e refletir sobre como foi seu dia, como forme de completude da vida. É a oportunidade de agradecer, num simples gesto de gratidão, por mais uma oportunidade de completar mais uma volta ao redor de si mesmo, mais uma oportunidade que foi dada por viver mais um dia.

Como seres humanos, somos capazes de fazer do pôr do sol um fenômeno muito maior que um ato da natureza. Podemos fazer dele um espetáculo, um sentido, um motivo, dar um significado. Dar um sentido além do físico requer certa admiração. O mesmo que se faz ao admirar uma música, uma apresentação, uma obra de arte, uma roupa, um gesto, etc. Esse ‘admirar’ que nos leva a ‘mirar com’, ou seja, ‘olhar com’. Quando você admira algo aquilo ganha um novo significado porque você passa a ‘olhar com outros olhos’.

Cá pra nós, uma vida vivida sem o poder da admiração, da contemplação, do significar além, se reduz meramente ao aspecto físico. Nesse sentido, um pôr do sol é só mais um pôr do sol, um dia é só mais um dia, um sorriso, um abraço, uma palavra, um gesto… são só mais daquilo, sem um significado maior.

Minha esposa tem o costume de, sempre que possível, contemplar o pôr do sol. Ela me faz um convite tão profundo de contemplar aquele pôr do sol com ela. É como se aquele pôr do sol fosse para ela, unicamente para ela. De certa forma, ela está certa. Porque aquele pôr do sol tem um significado único para ela, assim como tem um significado para mim. Tenho um motivo, uma inspiração, um agradecimento que é meu, diferentemente dela, que é o dela.

Sabe aquele pôr do sol? Então… é especialmente para você, se você assim o quiser. Se você der um significado a ele, ele terá, caso contrário, não. Assim é em toda a nossa vida. Dar um significado a toda ela: nossos relacionamentos, nossas atividades, nossos sentimentos, nossos pensamentos.

Contemplar o pôr do sol vai muito além de contemplar o pôr do sol. Diz muito de quem você é e quer ser.

Não apequene sua vida, dando um significado pequeno a ela. Olhe além, vá além, viva além.

Signifique a sua vida. Se for o caso, re-SIGNIFIQUE-a.

Livres ou escravos?

Você já ouviu falar em síndrome de Estocolmo?

Conhece a história da Bela e a fera?

Pois é, estão intimamente ligadas.

A relação afetiva que a princesa cria com seu ‘anfitrião’ (a fera) é justamente o que é a síndrome de Estocolmo. Em um sequestro ocorrido na cidade de Estocolmo, Suécia, no ano de 1973, a investigação percebeu que houve uma afinidade entre os sequestradores e os reféns.

A síndrome de Estocolmo é essa relação afetiva que surge entre o sequestrador e o refém. O apego, o afeto, como uma forma de proteção, de segurança, de sentido é o que caracteriza essa síndrome (claro, inconsciente).

Já assistiu a série ‘La Casa de Papel’? (diga-se de passagem: super recomendo). Há um típico exemplo disso, no relacionamento entre o personagem Denver (Jaime Lorente) e uma das reféns, que, curiosamente, se chamará Estocolmo (Esther Acebo).

Mas por que estou falando disso? Bem, olhando para as pessoas na sociedade em que vivemos não é preciso ser um ‘expert’ para ver que as pessoas vivem sequestradas. Sequestradas por si mesmas, pelas coisas, pela rotina, pelo trabalho, por pessoas que, numa relação afetiva ao invés de as fazerem ir além, as sequestram em sentimentos que a aprisionam; há ainda, um grande sequestrador chamado ‘dinheiro’.

Viver em função de qualquer pessoa ou coisa que esteja fora de nós mesmas é o mesmo que viver essa síndrome. Cria-se uma dependência daquilo ou de alguém, de tal modo que a pessoa não consegue mais imaginar sua vida sem aquilo.

É como se as outras pessoas ou coisas a possuíssem. E o pior, ela nem percebe, pois como disse, é inconsciente!

Você já se deu conta de quantas prisões você está vivendo hoje? Quais pessoas, quais coisas, quais situações têm te sequestrado hoje e feito você perder o brilho e o grande potencial que você tem?

Um grande passo a ser dado é a liberdade interior. Ser autônomo, ser livre, ser autêntico.

Em outros post’s comento sobre essas questões:

Ter algo não é o mesmo que algo te ter. Ter alguém com quem partilhar a vida, os sentimentos, não significa ser possuído por esse alguém. Ter um prego não significa que o emprego te tenha. Ter dinheiro ou fama não implica que o dinheiro ou a fama te tenha!

Gosto muito de dizer que “você só é você se você for você”. Óbvio, né? Nem tanto. Será que você tem sido, de fato, você ou aquilo que os outros querem que você seja?

Você é você ou um produto? Você se possui a si mesmo ou é possuído por pessoas, por coisas ou situações?

É livre ou vive como prisioneiro?

“Liberte-se da escravidão mental, ninguém além de nós pode libertar nossas mentes!” (Bob Marley)

Liberte-se! Apaixone-se! Viva!

Vale a reflexão!

Recomendado:

Que tal vender coco na praia?

Estava refletindo esses dias sobre como podemos ser dominados pelo medo. Me deparei com a imagem da pirâmide de Maslow, não à toa o segundo estamento é o da segurança. Queremos segurança, seja uma segurança financeira, ou profissional, ou familiar, ou ainda uma segurança de valores, etc… Está no DNA do ser humano a busca por ‘uma certa estabilidade’.

Acontece, também, dessa tal ‘segurança’ ser um grande problema. Ops… Quer dizer, pode acontecer de alguém fixar-se tanto em uma segurança que fecha os olhos para qualquer oportunidade que venha a passar em sua frente. Pode acontecer de fechar-se para o novo, de não tolerar imprevistos, e justamente, por estar presa a uma certa segurança alcançada, não sabe lidar com eles, se sente incapaz de tomar decisões para resolução de conflitos e dilemas.

Ser ou não? Fazer ou não fazer? Ter ou não ter? Ir ou não ir? Por mais alto que seja o patamar de segurança que alguém alcançou, é inevitável que em algum momento se depare com essas questões. Pessoas fixadas em segurança ficam perdidas ao menor impacto que sentem. Dúvidas e incertezas a perseguem… Enfim, se instala a crise. Crise essa que pode evoluir para diversos aspectos de sua vida: uma crise familiar, uma crise profissional, uma crise emocional, uma crise existencial, e assim por diante.

Você já sentiu medo? Medo mesmo, medo de verdade, a ponto de ficar paralisado? O medo paralisa! Incrível como pessoas sentem medo do novo, das oportunidades, daquilo que foge ao controle, ou não está dentro do mapa de suas seguranças. Arriscar-se é uma das chaves para abrir a alma, a mente e o espírito para a felicidade. Já pensou que talvez você se sinta livre, mas suas seguranças têm te aprisionado a continuar sendo ou vivendo mais do mesmo?

Quantas oportunidades já passaram à sua frente? Quantas chances de viver o novo? Quantas não foram as ocasiões que se fosse possível voltaria no tempo e faria diferente?

Pergunto, então: Por que não olhamos pra frente e aprendemos com nosso passado? Que tal tomarmos melhores decisões para nós mesmos? Decisões que, de fato, nos libertem (até de nós mesmos)?

Acredito que já expirou o prazo de vivermos uma caricatura de nós mesmos. É preciso ousar, é preciso arriscar, é preciso audácia! Não se lamente mais pelo passado. Olhe para o futuro e permita-se!

Conheço tantas pessoas que deixaram de ousar ou assumirem seu papel; hoje, mesmo tendo certo poder aquisitivo, se deparam consigo mesmas à noite e perguntam o que estão fazendo de suas vidas.

Medo de perderem a segurança que já possuem. Quantos sonhos sufocados? Pare de se autossabotar. Para de subestimar sua capacidade. Pare de se ver como não merecedor de algo melhor ou especial.

Muitas pessoas usam do artifício de se esconder em suas seguranças por medo de exercerem sua autonomia ou independência. Uma vida plena requer riscos e responsabilidades sobre esses riscos. Para tanto, é preciso mergulhar no mais profundo de si e voltar a superfície revigorado.

Vamos vender coco na praia? Que tal?

Não se trata de vender coco ou qualquer outra coisa, nem mesmo o fato de vender. Trata-se do fato de ir. A atitude faz toda a diferença no mundo, seja no mundo dos outros, seja no nosso mundo, tanto no exterior quanto no interior.

Identifique suas potencialidades e se aproprie delas! Empodere-se! Permita-se ser feliz. Faça o seu melhor! Exerça a sua autonomia!