Essa noite tive um sonho que meu amigo Freud ficaria doido para ouvir e poder ter orgasmos psicanáliticos, se é que me entende.
Havia uma cidade que cultuava a borboleta. Curiosamente eu morava nessa cidade, mas na parte alta, mais afastada. O centro era a parte baixa. Certo momento estavam cultuando o ‘dia da borboleta’ e construiram um mosaico enorme, mas era enorme mesmo. Todavia, esse mosaico veio a cair e a cidade inteira pegou fogo. (acordei).
Estou pensando na quantidade de ídolos que nós mesmos criamos e que nos destroem. Destroem a nossa vida, nossa sensibilidade. Minam nossa capacidade de refletir sobre as coisas e nos cegam totalmente. Vivemos alienados por conta de ídolos.
Às vezes, a realidade dá um jeitinho de vir de fininho e dar um beliscão na tua bunda. E quando a represa estoura, a única coisa que você pode fazer é sair nadando. O mundo do fingimento é uma jaula, não um casulo. Nós só conseguimos mentir pra nós mesmos por um tempo. A gente fica cansado, com medo e negar isso não muda a verdade. Cedo ou tarde, a gente tem que deixar a negação de lado e encarar o mundo. Ande com a cabeça erguida, com vontade. O Nilo não é apenas um rio no Egito – é todo um oceano. Então como você faz para não se afogar nele?
Esse discurso está na série Grey’s Anatomy (2×04).
Esse discurso me fez pensar em como suportamos tantas coisas, tantas provas. Sufocamos tantos sonhos, tantos desejos, tantos pensamentos que, inevitavelmente, acabam represados em nossa alma. Infelizmente, à maneira da água, somos sufocados. Não aguentamos tanta pressão e nos vemos submergidos.
Desde a infância, passando pela adolescência, chegando à fase adulta e culminando na senelidade. Tantas coisas que vamos vivendo e essas lembranças não se apagam. Pois é. Elas não se apagam – mesmo que não lembremos, elas estão lá em algum lugar do nosso inconsciente.
Mentiras, ilusões, alegrias, esperanças, desejos… Quantas coisas ficam gravadas em nós. Somos aquilo que fazemos, somos aquilo que pensamos, somos aquio que sentimos. Somos também todas as nossas lembranças. Umas apontam para o nosso passado, outras para o nosso presente, outras ainda, para o nosso futuro. Mas não podemos negar quem somos.
Somos o resultado de uma grande, exuberante e formidável construção que parece não ter fim. Estamos em constante construção e re-construção. Nos reconstruímos, nos refazemos, nos modelamos todos os dias. Mas não desanimamos, pois o desânimo é um claro sinal de derrota. Pelo contrário, partimos em busca de algo que nos motiva, nos impulsiona a continuar vivendo, indo além… E esse algo é, na verdade, o reflexo da construção da melhor versão de nós mesmos.
Entre trancos e barrancos, como soldados feridos, vamos lutando na vida. Concorde comigo ou não, mas a verdade de si deve ser a base para essa luta constante que travamos com nós mesmos. A verdade deve ser o vínculo de nossas relações. Como falou nossa narradora: o fingimento é uma jaula e não um casulo – a jaula aprisiona; o casulo transforma.
Você pode não ser a melhor pessoa do mundo. Nem por isso precisa fingir que é. Não seja o que voce não é. Se assuma enquanto tal. Como diz o apóstolo Paulo, ‘que nosso amor não seja fingido’, nem pelos outros, nem por nós mesmos.
Esses dias estava acompanhando uma dessas séries da Netflix. Em um diálogo dos personagens algo me chamou muito a atenção: ‘Você não pode duvidar de suas escolhas’. Se tratava de uma pessoa bastante insegura sobre suas decisões. Na mesma hora em que ouvi aquela frase me veio à mente que, realmente, não podemos duvidar de nossas decisões, pois a dúvida deve anteceder à decisão.
Se tomarmos uma decisão, seja ela
qual for, não podemos ficar com dúvida da decisão tomada, não podemos ter
insegurança. Precisamos ser assertivos!
É claro que não estou falando
daquelas decisões que são menos importantes em nossa vida, como qual a comida
iremos comer, qual filme iremos assistir, onde vamos no feriado ou qualquer
coisa assim. Estou falando daquelas decisões que de alguma forma irão impactar
em nossa vida e até mesmo na vida dos outros (se bem que tem um monte de gente
com imensa dificuldade em tomar decisões até para essas coisas simples).
É essencial saber tomar decisões a
fim de se alcançar uma vida mais próspera, seja nos âmbitos pessoal, amoroso,
social, profissional, financeiro, etc.
O processo de tomada de decisões requer, em primeiro lugar, autoconhecimento.
O autoconhecimento, além de mostrar os pontos fortes e fracos, é totalmente relevante
para identificar o que realmente importa para si.
Como disse acima, nunca devemos questionar as decisões que já foram tomadas. Elas devem ser questionadas antes de serem tomadas. A falta de uma análise abrangente da situação, uma visão mais holística da coisa e o excesso de opções são inimigos ferozes dessa tomada assertiva. Não adianta ficar lamentando o leite derramado, como dizia minha mãe.
Você já ouviu falar em ‘assertividade’?
Uma pessoa assertiva é aquela que
demonstra segurança ao agir. Ela se comporta de maneira firme e clara,
demonstrando resolução e decisão em suas palavras.
Mas como chegar a esse ponto?
Bem, ser assertivo nem sempre significa
estar certo ou errado, mas em agir da melhor forma possível, ter a melhor
postura possível, tomar as decisões da melhor forma possível. Não se trata
de um manual de perfeição ou de ‘como nunca errar’, mas de percorrer o melhor
caminho possível para ter tranquilidade, segurança e confiança em suas decisões
e com as pessoas.
Ser uma pessoa assertiva
significa ser capaz de encontrar soluções sem anular seus desejos e
necessidades. Portanto, não é ser uma pessoa passiva, o ‘bobão da turma’, mas encontrar
o equilíbrio entre o comportamento passivo (daquele
que se anula) e o comportamento agressivo (daquele que não cede jamais). Compreender
as próprias necessidades e as necessidades dos outros é de suma importância
para a assertividade. Saber encontrar soluções para um conflito de maneira
equilibrada, eficiente e construtiva – sabendo seus próprios limites, direitos
e desejos, como os do outro.
Pessoas assertivas, em geral, são mais felizes. Sabe por quê? Pelo
simples fato dessas pessoas não ficarem remoendo suas decisões, se lamentando
por elas, pelo que fizeram ou pelo que não fizeram. Elas questionam-se antes da
decisão tomada – procuram a melhor forma de determinarem seus objetivos,
analisam as consequências, buscam o equilíbrio – por meio do autoconhecimento.
Questionar-se é um dom. Mas não questione suas decisões. Elas já foram tomadas. Se não foi a decisão mais correta, ok. O que você vai fazer? Vai ficar se lamentando? Não!!! Hora de agir de forma melhor/diferente, lembrando que insistir não é o mesmo que persistir.
Na obra de Jean Paul Sartre, filósofo francês, ‘Entre Quatro Paredes’ele narra a convivência de pessoas de uma forma bem pessimista, onde os conflitos que vivemos são causados pelos outros – os outros são os culpados pelas coisas errados – eles são o nosso inferno.
Bem, estamos falando de relações.
Boi, boi, boi… Boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta…
Quem nunca ouviu essa canção? Pelo menos uma vez na vida
você já deve ter tido contato com ela. Costumeiramente nos deparamos com essa
canção como uma daquelas de ninar, para fazer uma criança dormir. Não é
verdade?
Convenhamos, que canção mais horripilante para fazer alguém
dormir, não? Na base da ameaça. Dorme, menino (a), senão o boi da cara preta
vem te pegar. Quantas outras canções você conhece que se enquadram nesse molde?
Vejo que isso, de certa forma, faz parte da base e educação que recebemos: o medo. Segundo Emilio Mira Y Lopez, o medo é um dos quatro gigantes da alma. O medo não só é um instinto natural, mas manipulável. Manipula-se o medo a favor do opressor contra o oprimido. Isso em diversas instâncias: na família (se não fizer isso vai ficar de castigo); na escola (se não fizer a lição e se comportar vamos convocar seus pais); no trabalho (entregue o relatório no prazo senão será demitido); e assim vai.
O medo faz parte da
vida humana e serve como uma referência para a sobrevivência. Na segurança
(moradia, integridade física, sua saúde, seu psicológico – daí a necessidade de
tantos seguros que existem no mercado); na economia (alimentação, dinheiro,
trabalho); na sociedade (contratos para todos os gêneros possíveis); na vida
afetiva (relacionamentos que trazem segurança, medo de traição, ciúmes)
Percebeu como o medo está em todo lugar?
Por causa dele (o medo), os primeiros seres humanos, em busca de segurança, passaram a viver juntos como uma forma de protegerem-se contra os ataques inimigos. Infelizmente, os seres humanos não só se defendiam contra os ataques de outras espécies, mas tiveram que se defender de si próprios, contra indivíduos da sua própria espécie – o mal de Caim.
A coisa não mudou muito nesse tempo, uma vez que parece ser o próprio ser humano seu maior inimigo. Ao longo de nossa vida construímos relações de amizades e afetos, mas também relações capazes de nos destruir – tornam-se nossos inimigos (recomendo a leitura de um livro do Pe. Fábio de Melo chamado ‘Quem me roubou de mim?’). De uma maneira hipotética posso exemplificar amigos ou inimigos: pai, mãe, irmão, parentes, cônjuge, amigos, colegas de trabalho, patrão, etc… a lista se estende. Em todos esses tipos de relação podemos construir relações que edificam ou relações que destroem, podemos nos unir para nos protegermos contra os ataques de fora ou devemos nós mesmos nos protegermos contra os ataques internos.
O medo pode unir, mas afastar. Afasta quando utilizamos o
medocontra
o outro e nos defendemos por meio do ódio e do preconceito, da injúria, da
calúnia, da inveja, da difamação, do erro, da ganância, e assim por diante. Por
trás de tudo isso, na maioria das vezes, encontramos o medo: medo do outro ser
melhor que eu, medo do outro me superar, medo do outro tomar meu lugar, medo do
outro fazer melhor que eu. Voltamos, assim, ao início deste post: o inferno são os outros.
Fonte: Pinterest
Vivemos uma vida com medo. Contudo, o medo pode ser usado ao
nosso favor, quando se criam relações que edificam (no caso dos
primeiros seres humanos formando suas tribos), relações que geram segurança,
proteção, respeito, partilha.
Ao encararmos o medo numa visão positiva, há união. Usa-se o
medo como uma forma de construir pontes, ou seja, ligações, relacionamentos que
se juntam. Ao passo que encarar o medo de forma negativa, faz com que construamos
muros e barreiras, justamente porque almejamos evitar esse inferno, esse
problema, esse percalço no caminho.
Cada vez mais se ouve as pessoas falarem em diário para registrarem seus dias, seus sentimentos, suas emoções. No campo da psicologia, muitos profissionais recorrem à escrita terapêutica, afirmando que é possível transformar a escrita numa ferramenta de superação da dor ou de um sentimento negativo. No campo da literatura, a escrita é fundamental, e quanto mais enriquecida de detalhes, mais rica será. Fato que a escrita exige imaginação, memória e raciocínio (três ferramentas básicas do nosso intelecto).
Realmente, escrever pode ser libertador, pode ser motivador, pode ser engenhoso, pode ser algo fantástico. A escrita registra o fato, mas pode registrar os sentimentos e as emoções. A escrita tem se popularizado, seja num diário, num post, num blog, em livretos, livros, etc. Porém, há um lado triste da popularização da escrita, uma vez em que é possível detectar casos em que as pessoas que a utilizam somente para serem lidos, como uma forma de espetáculo – utilizam a escrita como propaganda (no caso do meu blog, de certa forma, seria uma propaganda). Adotar a escrita como uma ferramenta de propaganda é não usufruir de todo o seu potencial (cf. Cortella, 2018, p. 119-123).
Vejamos o caso de um diário. Escrever fatos e acontecimentos, simplesmente por escrever, ou na expectativa de que alguém leia, é diminuir o poder da escrita e de seu próprio diário como benefício próprio. O mais importante da escrita de um diário não é o fato em si, mas os sentimentos e emoções por detrás de cada fato – agindo assim, o diário se torna uma ferramenta de autoconhecimento. Duvidar das certezas, levantar questionamentos sobre as atitudes, organizar experiências, identificar as emoções e sentimentos são técnicas para a escrita de um diário que leve ao autoconhecimento.
Você há de convir que ao
escrevermos, revelamos algo de nós mesmos no texto. Nossas palavras podem durar
mais do que uma simples caminhada, por exemplo. O texto permanece e nos
representa. Apesar do tempo que se passa, nossa identidade, nossa personalidade
permanece naquilo que foi escrito. Pode ser uma personalidade daquele
determinado momento da vida, mas permanece.
Heráclito, filósofo grego, afirmava que tudo flui. Levando essa sentença em consideração fácil perceber que ele não estava errado. Tudo muda! Inclusive nós.
Olhar para uma foto nos faz lembrar daquele determinado momento; ler um texto nos faz imaginar e vivenciar aquilo. E percebemos que já não somos mais os mesmos. Nostalgia e/ou saudades vêm à tona com um turbilhão de sentimentos. Fazer uma retrospectiva da vida é algo essencial para nosso autoconhecimento. Quem éramos? Quem somos? Como flutuaram nossos pensamentos e sentimentos ao longo de nossa via?
Dizem que você é aquilo que você faz (Michel Franklly). Será? Por que você faz aquilo que você faz? Prefiro pensar que somos aquilo que pensamos, sentimos e fazemos (Emanuel Becker).
Por isso, convido você a escrever o seu dia, de forma a descrever a melhor forma possível de como você esteve, e não o que fez. Faça isso por uma semana e verá que seu nível de autoconhecimento dará um upgrade incrível.
Poucas coisas na vida são tão gratificantes quanto aquilo
que não pode se comprar, mas simplesmente receber de forma espontânea e
gratuita. A gratuidade de um gesto, de um abraço, de um sorriso, de um ombro
amigo, de alguém para estar contigo livre de interesses, de um amor, e tantas
outras coisas que poderia citar aqui (mas que com certeza, você listou em sua
mente).
Quantas não são as
pessoas carentes de um gesto de carinho ou de um ‘eu te amo’ verdadeiro?
Pois é, eu conheço várias assim. Acredito que você também. Conheço muitas
pessoas que tem várias coisas, mas lhes falta algo que preencha o interior
delas, são abastadas por fora, mas miseráveis por dentro, são ricas em suas
contas bancárias, mas pobres em seu interior, possuem grande poder aquisitivo,
mas carentes de amor, atenção, carinho. Quantos
não são os pais que provém seus filhos de todas as coisas menos de atenção? Ou
os filhos que sequer reparam na presença dos pais?
Isso me leva a pensar que apreciar a vida é um exercício rotineiro que enobrece qualquer um, imputa um sentido maior para a nossa breve existência na terra. Um exemplo disso é o sol. Em muitas culturas antigas o sol era cultuado como um deus. Esse culto ao sol pode-se perceber até hoje. Muitas pessoas se aglomeram em vários pontos, seja no campo, na cidade, na praia, para apreciar o pôr do sol. Não só contemplam o seu pôr, mas o aplaudem.
Pedra do Arpoador – Rio de Janeiro
Veja os cariocas, por exemplo, se reunindo na pedra do Arpoador para o pôr do sol. Se reúnem como um ritual.
Afinal, o pôr do sol, tem algum significado?
O pôr do sol é complemento de um ciclo da terra em torno de
si mesma, ou seja, o dia. É, portanto, a oportunidade de olhar para si mesmo e
refletir sobre como foi seu dia, como forme de completude da vida. É a
oportunidade de agradecer, num simples gesto de gratidão, por mais uma
oportunidade de completar mais uma volta ao redor de si mesmo, mais uma
oportunidade que foi dada por viver mais um dia.
Como seres humanos, somos
capazes de fazer do pôr do sol um fenômeno muito maior que um ato da natureza.
Podemos fazer dele um espetáculo, um sentido, um motivo, dar um significado.
Dar um sentido além do físico requer certa admiração. O mesmo que se faz ao
admirar uma música, uma apresentação, uma obra de arte, uma roupa, um gesto,
etc. Esse ‘admirar’ que nos leva a ‘mirar com’, ou seja, ‘olhar com’. Quando
você admira algo aquilo ganha um novo significado porque você passa a ‘olhar
com outros olhos’.
Cá pra nós, uma vida
vivida sem o poder da admiração, da contemplação, do significar além, se reduz
meramente ao aspecto físico. Nesse sentido, um pôr do sol é só mais um pôr
do sol, um dia é só mais um dia, um sorriso, um abraço, uma palavra, um
gesto… são só mais daquilo, sem um significado maior.
Minha esposa tem o costume de, sempre que possível,
contemplar o pôr do sol. Ela me faz um convite tão profundo de contemplar
aquele pôr do sol com ela. É como se aquele
pôr do sol fosse para ela, unicamente para ela. De certa forma, ela está
certa. Porque aquele pôr do sol tem um significado único para ela, assim como
tem um significado para mim. Tenho um motivo, uma inspiração, um agradecimento
que é meu, diferentemente dela, que é o dela.
Sabe aquele pôr do sol? Então… é especialmente para você, se você assim o quiser. Se você der um
significado a ele, ele terá, caso contrário, não. Assim é em toda a nossa vida.
Dar um significado a toda ela: nossos relacionamentos, nossas atividades,
nossos sentimentos, nossos pensamentos.
Contemplar o pôr do
sol vai muito além de contemplar o pôr do sol. Diz muito de quem você é e quer
ser.
Não apequene sua vida,
dando um significado pequeno a ela. Olhe além, vá além, viva além.
A relação afetiva que a princesa cria com seu ‘anfitrião’ (a
fera) é justamente o que é a síndrome de Estocolmo. Em um sequestro ocorrido na
cidade de Estocolmo, Suécia, no ano de 1973, a investigação percebeu que houve
uma afinidade entre os sequestradores e os reféns.
A síndrome de Estocolmo é essa relação afetiva que surge
entre o sequestrador e o refém. O apego, o afeto, como uma forma de proteção,
de segurança, de sentido é o que caracteriza essa síndrome (claro, inconsciente).
Já assistiu a série ‘La Casa de Papel’? (diga-se de passagem: super recomendo). Há um típico exemplo disso, no relacionamento entre o personagem Denver (Jaime Lorente) e uma das reféns, que, curiosamente, se chamará Estocolmo (Esther Acebo).
Mas por que estou falando disso? Bem, olhando para as
pessoas na sociedade em que vivemos não é preciso ser um ‘expert’ para ver que
as pessoas vivem sequestradas. Sequestradas por si mesmas, pelas coisas, pela
rotina, pelo trabalho, por pessoas que, numa relação afetiva ao invés de as
fazerem ir além, as sequestram em sentimentos que a aprisionam; há ainda, um
grande sequestrador chamado ‘dinheiro’.
Viver em função de qualquer pessoa ou coisa que esteja fora de nós mesmas é o mesmo que viver essa síndrome.Cria-se uma dependência daquilo ou de alguém, de tal modo que a pessoa não consegue mais imaginar sua vida sem aquilo.
É como se as outras pessoas ou coisas a possuíssem. E o pior, ela nem percebe, pois como disse, é inconsciente!
Você já se deu conta de quantas prisões você está vivendo hoje? Quais pessoas, quais coisas, quais situações têm te sequestrado hoje e feito você perder o brilho e o grande potencial que você tem?
Um grande passo a ser dado é a liberdade interior. Ser autônomo, ser livre, ser autêntico.
Ter algo não é o mesmo que algo te ter. Ter alguém com quem partilhar a vida, os sentimentos, não significa ser possuído por esse alguém. Ter um prego não significa que o emprego te tenha. Ter dinheiro ou fama não implica que o dinheiro ou a fama te tenha!
Gosto muito de dizer que “você só é você se você for você”. Óbvio, né? Nem tanto. Será que você tem sido, de fato, você ou aquilo que os outros querem que você seja?
Você é você ou um produto? Você se possui a si mesmo ou é
possuído por pessoas, por coisas ou situações?
O foco é um dos grandes fatores que contribui para o
aproveitamento do nosso tempo. Sempre que perdemos o foco com diversas
interrupções perdemos a concentração e a inspiração (além de gastarmos tempo),
e somos obrigados a gastar muita energia para retomarmos aquilo que estávamos
fazendo.
Ocorre que essas ‘benditas’ interrupções podem ser ocasionadas por nós mesmos, por outras pessoas
ou por fatores externos. Pode ser que essas interrupções fujam ao nosso
controle, aí é importante saber lidar com a situação e não permitir que isso
nos controle, caso contrário, já era.
Uma dica muito importante vem dos nossos amigos estoicos: Controle
o que pode ser controlado e aceitar o que não pode ser controlado. E foco é algo que podemos controlar.
Focar naquilo que deve ser feito, focar naquilo que necessita atenção, focar
naquilo que marcamos como prioridade. As distrações ocorrem, e muito. Pode ser
que muitas dessas distrações também estejam sob seu controle ou não.
Existem vilões para perder nosso foco:
Falta de concentração
Perfeccionismo
Indecisão
Autodistração
Falta de motivação
Medo de errar
Mudanças de prioridade
Falta de informação suficiente
Dificuldades para realizar tarefas
Pois é. Parece que as coisas, no geral, seguem os princípios
da lei de Murphy:
Nada é tão simples quanto parece;
Tudo demora mais do que você imagina;
Se houver a possibilidade de algo dar errado,
dará.
Aí você acorda de manhã, faz seu plano de ação, elenca as
prioridades, e no decorrer do dia, por algum motivo, algo dá errado, sai do
controle, ocorrem imprevistos, e lá se foi seu plano de ação. Sendo bem
sincero, muito disso (não sei se é o teu caso) está relacionado com uma simples
palavra: NÃO!
Dizer não é para corajosos! Saber dizer não é uma capacidade notável!
Dizer não para nós, para certos hábitos, sentimentos, pensamentos; dizer não
para os outros (haja coragem, vontade e autodeterminação para isso); dizer não
para as distrações; dizer não para aquilo que não é relevante, para aquilo que
não é prioridade. Saber dizer não para aquilo que deve ser dito não – naquele
momento, naquele lugar, naquela ocasião.
Pedro Calabrez é enfático ao nos dizer que é impossível ao cérebro humano focar em várias coisas ao mesmo tempo. O que fazemos é alternar o foco. Então, toda vez que você foca algo, desfoca outro. Toda vez que você direciona sua atenção, seu humor, sua energia para algo, tira de outro. Nos deparamos com tanta informação que vivemos em uma ‘crise de atenção’. Somos bombardeados que não sabemos nem em que prestar atenção. E cada minuto há uma novidade. Por isso a importância de sermos seletivos com a nossa atenção, sermos determinados com nossos objetivos e prioridade. Dizer não!
Vale lembrar que foco não é um dom inato, cujo nascemos. Foco é uma habilidade, e, por tanto, pode ser desenvolvida. Pode ser que você esteja remando e remando e remando, mas o foco está direcionado para outro ponto. Gosto muito do exemplo da direção de um carro: se você estiver dirigindo e vir a perder o controle por conta de aquaplanagem, por exemplo, não adianta o esforço que venha a fazer, o carro está focado em algo e não irá parar até colidir com o foco (direção, seta, objetivo). Portanto, desenvolver a habilidade do foco é, como se diz, desenvolver ‘o núcleo de todas as habilidades’.
Gosto muito da relação que há entre foco, motivação e hábito. O foco revela nossos objetivos, metas, prioridades. A motivação nos impulsiona, nos leva a querer, nos faz buscar. O hábito nos disciplina, nos educa, nos faz fazer o que deve ser feito.
Como diz Augusto Cury, sonhos e disciplina devem andar lado a lado.
Faz-se necessário alinhar a disciplina, objetivos claros e uma vida organizada. Evite a procrastinação!
Quais são seus objetivos? Quais são seus planos? Suas metas?
Fixar objetivos é de suma importância para racionalizar e tornar nosso tempo mais produtivo. Objetivos claros, definidos e alcançáveis. Quando se tem uma meta é mais fácil saber para onde ir. Como dizia o Gato Chesire à Alice: “Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve”. Saber para onde quer ir, onde quer chegar é o primeiro passo para o sucesso.
Estabelecer objetivos
é fundamental e deve ser visto como o primeiro passo para melhorar a utilização
do tempo e, consequentemente, da sua vida. Ache tempo para as definir e
depois as escreva. Ter as metas claras, bem definidas e escritas é importante
porque se dá corpo a elas, não fica somente no mundo ideal, mas traz para o
físico. Você dá corpo a elas.
Aparentemente parece algo simples, mas não é. Para se fixar
objetivos é necessário um grande esforço de reflexão, introspecção e
autoconhecimento. Seja sincero consigo mesmo. Olhe para dentro de si e encontre
o que você, realmente, busca para a sua vida.
Para atingir os
objetivos é preciso agir de maneira prática, e o melhor caminho para isso é
coloca-los no papel. Dessa forma eles tomam corpo, deixam de ser ideias e
passam a ser projetos concretos. Além disso, a leitura das metas estimula os
sentimentos de autoconfiança e otimismo. Daí a importância de um plano de
metas.
Todavia, estabelecer a lista é o primeiro passo. O segundo
passo é marcar as prioridades, definir as prioridades. Quando estipulamos uma
prioridade inevitavelmente deixamos outras atividades em segundo, terceiro,
quarto plano.
Priorizar é o
processo para determinar o que é mais importante para você.
Infelizmente, o passo de estipular as prioridades gera
muitos conflitos internos, pois priorizamos as coisas urgentes e não as
importantes, muito menos as essenciais. Precisamos levar em conta as coisas
básicas, fundamentais e essenciais em nossa vida. E nisso falhamos, e muito. As
urgências da vida tomam nosso tempo, nosso ânimo, nossa energia. Falta, então,
vida para aquilo que é importante e essencial. Daí a relevância de separar o
urgente do importante. Enquanto você priorizar o urgente não terá tempo para o
que é importante em sua vida. É tudo questão de prioridade!
Somente quando
pudermos romper com a tirania do urgente é que resolveremos o problema da falta
de tempo.
Quantas horas tem seu
dia? Quantas horas você precisa que tenha seu dia?
Você há de concordar comigo que na sociedade contemporânea marcada
pelo consumo, o tempo é um elemento de riqueza a serviço, unicamente, da
produção de bens de consumo e do lucro. Não
existe mais o tempo enquanto tempo, mas enquanto produto. Queremos o tempo
ao nosso serviço, cunhamos até expressões como ‘tempo é dinheiro’, mas tempo
não é dinheiro. Tempo é algo indelével, não volta. O tempo porta o álbum de
nossas vidas.
O tempo não é um bem material: não pode ser visto, tocado ou
apalpado; pode apenas ser sentido. Ele está sempre presente. Não pode ser
interrompido, e nunca deixa de existir. O tempo é uma das poucas coisas que o
homem nunca conseguiu controlar, e é por isso que ele sempre exerceu tanto fascínio
sobre o ser humano.
Nem sempre percebemos o tempo da mesma forma. Às vezes,
temos a sensação de que o tempo não passa. Em outras vezes, temos a impressão
de que as horas passam rápido demais. Outras ainda, parece que o tempo não foi
suficiente. Tudo está relacionado no modo como o utilizamos; ressaltando: não é
a quantidade de tempo, mas sim a qualidade e a forma como organizamos nosso
tempo que fará toda a diferença.
Sempre há tempo suficiente para as coisas que realmente
julgamos importantes. A dificuldade está em determinar o que de fato é
importante, priorizando tarefas. O problema não é a falta de tempo, mas a
maneira como o utilizamos.
Viver no tempo é algo que deve ser aprendido. A maioria das
pessoas que se sentem realizadas e felizes tem o cuidado de planejar o seu
tempo para poder realizar todas as tarefas que precisam. Por outro lado, a
falta de tempo gera uma espécie de frustração nas pessoas.
Viver no tempo é uma arte!
As atitudes que temos perante nossas atividades afetam o
nosso desempenho frente ao uso do tempo. Podemos tomar atitudes positivas (que
levam à utilização racional do tempo) e negativas (desculpas, procrastinação,
desinteresse, etc.). Outra questão é o fato de, por vezes, nos atermos mais às
atividades do que aos resultados, somos mais eficientes do que eficazes.
Saber como fazer uma tarefa não é suficiente. Conhecer o que deve ser feito é diferente de realmente fazer. Um é conhecimento, o outro é comportamento. Por isso a importância de se automotivar e de ter atitudes corretas em relação ao tempo. A prática assídua da automotivação é fundamental para manter o equilíbrio. Administrar o tempo é fazer as coisas de forma inteligente e não trabalhar arduamente. Já dizia Pitágoras que ‘com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito’.
O plano de ação é uma excelente ferramenta de organização pessoal em nossa gestão do tempo. No blog Digital Manager Guru, encontrei uma lista de dicas que podem nos ajudar com isso. Destaco:
Processos definidos;
Trabalhar com agenda e lista de tarefas;
Determinar limite de tempo para as tarefas;
Eliminar as distrações;
Delegue ou terceirize;
Pausas regulares
A grande chave para uma boa gestão do nosso tempo é o
equilíbrio. Equilíbrio de tempo não consiste em dividí-lo em partes iguais, mas
organizá-lo de modo que possa estar a seu favor e contra você.