Sobre mudanças…

Já dizia um filósofo grego, Heráclito, ser impossível uma pessoa banhar-se nas mesmas águas de um rio duas vezes. O que isso quer dizer exatamente? Ao adentrar nas águas, por ser corrente, ela já se foi. Ou seja, não estamos em contato com as mesmas águas.

Nesse sentido, nós, também, podemos afirmar que estamos em constante transformação. Nosso modo de pensar, de agir, de ver as coisas, de interagir, de interpretar, enfim… Tudo tem se transformado. Inclusive, nosso próprio corpo passa por uma constante mudança.

Quem somos hoje é o resultado de uma série de eventos que vieram se acumulando ao longo de nossa história. Quem somos hoje, com certeza, é uma versão diferente daquela do passado… Os espaços mudam, os tempos mudam, as pessoas mudam…

Nossos círculos afetivos também mudam. Nossas amizades, rotinas, etc. Ser o mesmo, o tempo todo, é uma tendência a uma estática suicida. Mas a verdadeira mudança é aquela que parte do nosso interior para o exterior. Mudar a si mesmo, no meio do caos exterior, é o ponto de partida para uma mudança significativa em nossa vida.

Mas mesmo com todas as mudanças, convém priorizar o fato de que sejamos nós mesmos!!! Nas mudanças, transformações e metanoias da vida, há um filo primordial que ainda persiste e insiste: VOCÊ!!!

Pílula 07: Uma questão de comunicação

O emissor, a mensagem, a linguagem e o receptor são os elementos de uma comunicação. Quanto melhor for desempenho de cada personagem nesse processo, melhor será o entendimento da comunicação, mais clara ela será.

O emissor pode transmitir uma mensagem de diversas formas: oral, escrito, imagens, gestos, sons, etc… Porém,

é imprescindível que a mensagem seja clara e objetiva, minimizando possíveis interpretações – a comunicação deve ser eficaz.

Ocorre que o emissor é responsável pela sua mensagem, mas nem sempre o receptor a interpreta com a ideia de quem transmitiu.

Falamos, escrevemos, gesticulamos, enfim… Estamos nos comunicando constantemente com as pessoas que fazem parte do nosso mundo. Mas uma palavra, por exemplo, pode ter diversos significados, dependendo da pessoa que escuta, pois cada pessoa carrega em si, uma mundo diferente do outro, cheio de significados.

As palavras, os gestos, as imagens não são simplesmente o que parecem ser. E numa vida tão tumultuada, conectada, agitada, por vezes nos desligamos daquilo que podemos transmitir ao outro, pois imputamos a nossa métrica aos outros, ou seja, os outros devem ter os mesmos parâmetros que nós, quando, na verdade, cada um tem a sua métrica, o seu modo de ver. Por vezes, as métricas se ajustam, por vezes, não.

Por outro lado, imagine um mundo cheio de iguais, onde a única possibilidade seria sempre mais do mesmo… Daquilo que já existe e acontece, sem qualquer novidade ou alguém que esteja lá para dar uma opinião diferente. Seria possível haver uma sociedade de humanos assim?

A diversidade de subjetividades é um imenso patrimônio na humanidade.

Num tempo que a comunicação parece ter sobressaltado patamares na escala de valores da humanidade, a interpretação subjetiva ganha ares de imperador e se impõe. Daí a importância do respeito e de uma comunicação cada vez mais eficaz.

O que você acha disso?

Pílula 06: É preciso saber viver

Esse título da canção composta por Erasmo e Roberto Carlos é bem significativo: saber viver.

Como sabemos se estamos vivendo? O que seria viver?

Não quero me alongar muito, mas com certeza, viver é muito diferente de sobreviver. O idioma inglês usa o verbo to be tanto para ‘ser’ quanto para ‘estar’, mas cá pra nós, ser doente não é a mesma coisa que estar doente, assim como ser feliz não é o mesmo que estar feliz; ou seja, há muita diferença entre viver e viver.

Ao longo de nossa breve vida passamos por tantas coisas: alegrias e tristezas, honras e decepções, etc… No entanto, podemos estar seguros de que, se em nosso interior houver uma força a nos impulsionar, passaremos pelas tormentas que se levantam contra nós.

O motivo, o objetivo, o porquê que se encontra no interior de cada um, nos leva além de qualquer como que possamos encontrar em nosso exterior.

O que quero dizer é que dentro de cada um nós, trancafiados nos baús que trazemos dentro de nossa alma, é possível encontrar a força para superar aquilo que encontramos pela frente.

A união entre o ‘porquê’ e a atitude só pode resultar em coragem (cor = coração e agir) – aquele que age com o coração.

Que a força esteja com você!

Pílula 05: A Ilha

Imagine um mundo sem espelhos, onde as pessoas não pudessem ver seus reflexos. Aliás, melhor ainda, imagine um mundo sem reflexos de imagens. Difícil imaginar isso, não é mesmo?

A ideia dessa pergunta é justamente levar você a pensar um pouquinho comigo. Me acompanhe, por favor. Uma ilha vive sozinha, consiga mesma. Ela não consegue se ver, se notar, não sabe como ela é, pois nunca viu sua própria imagem. Ah Gerson, fala sério…

Tá bem, então. Imagine agora pessoas vivendo nesse mundo sem reflexos. Como elas conheceriam a aparência de seu próprio rosto? Ah, se outra pessoa a desenhasse, talvez. Mas mesmo assim, aquele desenho não seria ela, apenas a imagem dela. Seria a imagem da pessoa, fora da pessoa, ou seja, ela só poderia se ver se a imagem dela saísse dela. Entendeu?

Em inúmeras situações, só conseguimos ter uma visão holística se sairmos de nós mesmos, ou seja, nos desprendermos de nossos ideais, por um instante, e olharmos além deles, fora deles. Se for o caso, após um breve reconhecimento da imagem que se vê, pode-se voltar aos seus ideais de outrora ou então, abandoná-los e se ancorar em novos paradigmas.

Fato é que estando na ilha não teremos uma visão da ilha, somente se sairmos dela. Aí sim, avistaremos a paisagem proporcionada pela ilha. O mesmo vale para nós… O processo de autoconhecimento requer uma saída de si mesmo para enxergar a si mesmo, dentro de um determinado contexto.

E aí? Topa o desafio?

Pílula 04: A nossa responsabilidade

Temos uma incrível facilidade de culpabilizarmos os outros por situações desagradáveis e/ou difíceis pelas quais estamos passando.

Parece que o problema está sempre no outro. E para pôr a culpa em outrem, é impressionante como aparecem tantos ‘demônios’ que podemos culpar… Eles começam a vir à tona em nossa mente, como um filme vão passando um por um. Enfim, sentamos na tribuna e logo fazemos os julgamentos condenatórios de todos esses ‘demônios’.

Mas será que se refletirmos com calma não ficará visível nossa parcela de responsabilidade frente ao caos que vivenciamos e culpamos os outros? Há alguma responsabilidade de nossa parte? É muito fácil encontrar os ‘demônios’ de fora e isentar os ‘demônios’ em nós… Se é que me entende.

Reflita um pouco sobre isso

Pílula 02: Lar doce lar

Sabe aquelas inscrições do tipo ‘lar doce lar’? Então, você já se questionou sobre o significado de um lar?

As pessoas moram juntas em suas casas, mas não conseguem construir um lar. Possuem (ou não) casa na praia, no campo, sítios, apartamentos, etc… Mas falta um lar.

Um lar está infinitamente além de uma casa. Um lar diz respeito aos vínculos que são construídos por aquele grupo de pessoas. Uma casa é só um aglomerado de materiais para abrigo.

Confundir um lar com uma casa é o mesmo que confundir família com parente.

Pílula 01: Sobre os ídolos

Essa noite tive um sonho que meu amigo Freud ficaria doido para ouvir e poder ter orgasmos psicanáliticos, se é que me entende.

Havia uma cidade que cultuava a borboleta. Curiosamente eu morava nessa cidade, mas na parte alta, mais afastada. O centro era a parte baixa. Certo momento estavam cultuando o ‘dia da borboleta’ e construiram um mosaico enorme, mas era enorme mesmo. Todavia, esse mosaico veio a cair e a cidade inteira pegou fogo. (acordei).

Estou pensando na quantidade de ídolos que nós mesmos criamos e que nos destroem. Destroem a nossa vida, nossa sensibilidade. Minam nossa capacidade de refletir sobre as coisas e nos cegam totalmente. Vivemos alienados por conta de ídolos.

Já parou pra pensar nisso?