“No fundo de cada alma há tesouros escondidos que somente o amor permite descobrir.” (Édouard Rod)
Fernanda se sentia extremamente desapontada com ‘seus amores’. Não fazia muito tempo que seu último relacionamento havia terminado… Ainda sofria muito o luto daquele término.
Estava ali, diante de mim, se questionando sobre o que teria feito de errado dessa vez. Parecia que nada dava certo, parecia que não tinha nascido para o amor. Foram alguns tantos relacionamentos frustrados, com ares de certa dependência afetiva e emocional, ciúmes, inseguranças, discussões, coisas do tipo de um relacionamento que mais aprisiona que liberta.
As lágrimas que deslizavam pelo seu rosto diziam muito mais do que as palavras que saiam de sua boca. Uma moça jovem, bonita, inteligente, com propósitos na vida não deveria ser tão difícil assim se manter num relacionamento. Por quê isso? O seu questionamento ia muito além do término da relação.
Haviam dores escondidas que se velavam em sua história, que transcorriam os capítulos de suas angústias, que se trasvestiam de outras formas, de outras cores, de outros modos.
Fernanda se sentia impedida de amar e de ser amada, como que barrada. Em busca de um colo que pudesse se sentir segura, o seu anseio a fazia desesperar, descolar de si mesma.
A busca por um colo que lhe faltou!
Um amor que não encontrava hoje era um amor que não encontrou ontem. A fórmula de amar, aquela que Fernanda aprendeu, a impossibilitava de ‘criar’ novas formas de amar…
Novas formas de amar que esbarrava naquela falta de amor de ontem, uma linguagem que só tinha sido escrita pelo não cuidado, pelo não afeto, pelo não carinho, pelo não diálogo, pelo não apoio.
Um buraco que atravessa o seu ser.









