Um triste fim de relacionamento…

No fundo de cada alma há tesouros escondidos que somente o amor permite descobrir.” (Édouard Rod)

Fernanda se sentia extremamente desapontada com ‘seus amores’. Não fazia muito tempo que seu último relacionamento havia terminado… Ainda sofria muito o luto daquele término.

Estava ali, diante de mim, se questionando sobre o que teria feito de errado dessa vez. Parecia que nada dava certo, parecia que não tinha nascido para o amor. Foram alguns tantos relacionamentos frustrados, com ares de certa dependência afetiva e emocional, ciúmes, inseguranças, discussões, coisas do tipo de um relacionamento que mais aprisiona que liberta.

As lágrimas que deslizavam pelo seu rosto diziam muito mais do que as palavras que saiam de sua boca. Uma moça jovem, bonita, inteligente, com propósitos na vida não deveria ser tão difícil assim se manter num relacionamento. Por quê isso? O seu questionamento ia muito além do término da relação.

Haviam dores escondidas que se velavam em sua história, que transcorriam os capítulos de suas angústias, que se trasvestiam de outras formas, de outras cores, de outros modos.

Fernanda se sentia impedida de amar e de ser amada, como que barrada. Em busca de um colo que pudesse se sentir segura, o seu anseio a fazia desesperar, descolar de si mesma.
A busca por um colo que lhe faltou!

Um amor que não encontrava hoje era um amor que não encontrou ontem. A fórmula de amar, aquela que Fernanda aprendeu, a impossibilitava de ‘criar’ novas formas de amar…

Novas formas de amar que esbarrava naquela falta de amor de ontem, uma linguagem que só tinha sido escrita pelo não cuidado, pelo não afeto, pelo não carinho, pelo não diálogo, pelo não apoio.

Um buraco que atravessa o seu ser.

E então somos estranhos…

Aquele sorriso, aquele abraço, aquele olhar parecem não existir mais.

Os sinto tão forte e intenso dentro de mim… os vivencio e os trago em minha memória. Mas se tratam apenas de memórias.

Aquele primeiro encontro, o primeiro olhar, o primeiro beijo seria eternizado se tivéssemos a possibilidade. Aquela pessoa entrou, mudou, transformou, bagunçou… definitivamente, tive minhas estruturas abaladas.

Aprendi a ver a vida de uma forma diferente. Meu mundo mudou, mas agora são só memórias.

Trago em meu coração memórias de uma história que foi e não existe mais… Somos estranhos!

Então… um novo recomeço espera minha atitude de continuar a viver, minha atitude de seguir em frente, minha atitude de olhar adiante.

Preciso compreender que o grande protagonista do roteiro da minha história sou Eu mesmo!!!

E então projetamos…

Já olhou para outra pessoa e sentiu tanta admiração ou tanta repulsa?

Já se deparou com alguém que te afetou de alguma forma? (positiva ou negativamente)

Pois é… Estou me referindo a algo muito significativo que acontece e muito: a projeção. Esse mecanismo de defesa psicológica se trata do movimento de lançar para fora de si, sobre outra pessoa, seus próprios sentimentos, atributos e emoções.

Projetamos tantas coisas nos outros, principalmente nos mais próximos: nossos defeitos, nossas qualidades, nossos sonhos, esperanças, expectativas, nossos medos, e por aí vai…

Será mesmo que olhamos para o outro de forma singular, ou enxergamos uma caricatura daquilo que queremos?

Fazemos das nossas expectativas as expectativas dos outros… e só nos frustrados com isso.

Vale a reflexão.

Copo meio cheio ou meio vazio?

Olhando para um copo com uma certa quantidade de um líquido qualquer, a sua impressão seria de metade cheio ou metade vazio?

A princípio uma pergunta sem muito propósito. Ao meu ver, há um propósito por detrás da percepção que se tem do copo. O copo em questão é apenas um objeto simples. Podemos, entretanto, dilatar a percepção do copo para a nossa percepção de vida.

Um olhar atento pode revelar o modo como encaramos a vida, como a vivenciamos. Vamos lá…

Ao perceber o copo meio cheio pode indicar que a pessoa tem uma visão otimista acerca da vida. Na verdade, se trata de viver a filosofia da vida como ‘uma dia a mais’. Há sempre uma nova possibilidade, um novo motivo, um algo a experimentar. A ideia por trás é entender que um dia é sempre mais um dia para fazer algo, um algo novo ou tentar diferente. Um novo dia para viver intensamente.

Por outro lado, perceber o copo meio vazio pode revelar um modo pessimista de enxergar a vida.

Não se trata aqui de bom ou ruim, certo ou errado. Mas apenas de percepções diferentes, ok?

Voltando… Enxergar o copo meio vazio é o mesmo que imaginar a vida como um dia a menos. Pensar a vida como um dia a menos é pressupor que há um fim, um limite, um ponto determinado que se encerrará. Assim, não se vive em função da vida, mas em função da morte, ou seja, do fim da vida.

Se aquele que tem uma visão otimista da vida vive na intensidade do novo, o que enxerga a vida com uma visão pessimista dela a vive na segurança do mesmo.

Afinal de contas, o dia que acordamos e abrimos os olhos, é um novo dia para fazer algo, ou um dia a menos para preservar o que se tem?

Pertencimento

A partir do século XVI, a humanidade presenciou uma série de mudanças em vários campos do saber. Mudanças significativas na física, na química, na biologia, na literatura, na arte, etc… O fim da cosmologia escolástica cedeu lugar ao nascimento do Iluminismo, o que acarretou na substituição nos paradigmas, do religioso e mítico para o científico. O conhecimento passa a ser norteado não mais pelo dado da fé, mas pelo dado da experiência.

O conhecimento religioso/mítico cede espaço ao conhecimento filosófico, que por sua vez, cede espaço ao conhecimento científico. Toda forma de conhecimento que não fosse pautada pelo métodos epistemológicos deveriam ser refutados, negados e descartados.

Dentro desse contexto, o ser humano não fica eximado de ser visto, como a si mesmo, como parte de um todo – o ser humano que é uma parte integrante da natureza e não senhor dela. Daí, então, passível de ser examinado, explorado e conhecido. O iluminismo passa a colocar o ser humano numa visão concreta entre o orgânico e o psíquico. o enfoque principal, no entanto, consiste numa visão mecanicista do ser humano com seu funcionamento físico-biológico.

Num momento de superação, a visão passiva de uma autoridade religiosa é posta de lado em contraste de uma visão libertária do ser humana enquanto ser da natureza que passa a adotar seu conhecimento como um verdadeiro desbravador da natureza e colocá-la ao seu serviço. O que existe agora, como pauta de veracidade, é o dado científico e não científico. Dessa visão da primazia científica é que surgem as diversas ciências e campos do saber, a revolução científica do século XVI, dando um caráter hegemônico para o conhecimento.

Toda essa mudança no paradigma da história humana trouxe a impressão, ou pelo menos a promessa, de que a ciência seria a solução para todos os problemas dessa mesma humanidade. Houve um crédito exagerado. Com isso, as suposições de outrora foram descartadas. A felicidade agora está mais palpável que antes.

De uma forma isenta, ou sem qualquer tomada de partido, vale lembrar o fato de que antes de toda revolução científica o que se havia era o dado da fé, ou seja, as pessoas tinham suas vidas pautadas por uma promessa da vida eterna e que se conquistaria ainda cá. O sentimento de pertencimento que se instalava nas pessoas era o que se havia de mais precioso. As pessoas se sentiam pertencidas a um grupo, a uma entidade, a uma instituição.

Dando um salto no tempo, o sociológo Zygmunt Bauman traz o conceito de Modernidade Líquida. Nessa concepção de modernidade líquida, todos os vínculos são líquidos, ou seja, não há nada sólido, duradouro, que se sustenta e se mantem. Os vínculos líquidos são retratos da sociedade contemporânea, seja em suas relações afetivas, familiares, profissionais, acadêmicas. Os vínculos são rápidos, curtos, ao melhor estilo fast-food. As conexões reais cedem lugar às conexões virtuais. o mundo virtual é um exemplo típico de um vínculo líquido, onde é possível curtir, descurtir, bloquear, convidar, interagir, apenas deslizar o dedo na tela. Além disso, o mundo virtual tem ficado cada vez mais presente na vida das pessoas devido à facilidade de ser quem quiser ser, mostrar o quiser mostrar, fazer o que quiser fazer.

Com isso, há no ar, uma tenebrosa e sombria nuvem de crise identidade e de pertencimento. As pessoas não se reconhecem mais como a si mesmas; as pessoas não conseguem mais se sentirem pertencentes a alguma ordem (seja ela qual for) – o que acarreta uma série de males para sua saúde e bem-estar, seja físico e mental.

Uma crise de identidade faz com que as pessoas vivam inúmeros personagens, inúmeras representações, mas que não se encontram em nenhuma delas – vivem como se não fossem elas mesmas. Uma crise de pertencimento é decorrente da crise de identidade onde o indivíduo, não conseguindo se enxergar como um indivíduo em sua singularidade, se torna míope em enxergar-se dentro de uma coletividade: o pertencimento da espécie humana, do círculo familiar, do vínculo empregatício, de um grêmio estudantil, e assim por diante. Os grupos coletivos se dissolvem porque já não há mais diversidades de identidade que formam o sentido de unidade em uma coletividade.

O sentimento de pertencimento é o que une, é o que forma vínculos, é o que perpassa pela identidade do indivíduo e o possibilita a enxergar além de si, mas como um um ser que faz parte de um todo.

Conferir: http://escola.mpu.mp.br/dicionario/tiki-index.php?page=Pertencimento#:~:text=Pertencimento%2C%20ou%20o%20sentimento%20de,destacar%20caracter%C3%ADsticas%20culturais%20e%20raciais.

Procusto!

Procusto: personagem da mitologia grega que oferecia hospedagem aos viajantes da região serrana de Elêusis.

Em sua casa, convidava os hóspedes a se deitarem em sua cama. Ocorre que a cama era exatamente do seu tamanho. Caso o hóspede fosse menor, ele o esticava, caso fosse maior, ele cortava os pés ou a cabeça para o tamanho exato da cama.

Esse mito encontra-se na saga de Teseu.

Reflete muito a condição que algumas pessoas sentem quando são contrariadas ou preteridas, ou até mesmo quando se sentem inferiorizadas – elas acabam por matar os outros (psicologicamente falando) caso não se encaixem perfeitamente aos seus pontos de vista.

Curioso, né?

A atitude filosófica

O que é uma atitude filosófica?

Infelizmente, vivemos tão presos a uma rotina ou alienados em um mundo automatizado, que perdemos diversos insights ao longo de nossa breve existência.

Sinceramente, a vida passa tão rápido para ser vivida de qualquer jeito, não é mesmo?

Estamos como que habituados ou aprisionados a um modelo de vida que sequer temos força, ou curiosidade, para enxergar além daquilo. Os filósofos costumam elencar três etapas fundamentais para que ocorra uma atitude filosófica:

  • O Estranhamento;
  • O Questionamento;
  • O Discurso;

E do jeito que a vida está (pelo menos tem sido), pouco nos importamos com as perguntas, e queremos logo as respostas. Contudo, acredito que não são as respostas que possuem o poder de mudar as coisas, de mudar a vida – são as perguntas. E quanto melhor for a qualidade de sua pergunta, maior será a exigência da qualidade da resposta.

Se você se contenta com pouco, uma resposta que satisfaça ali (mesmo que não seja a melhor) já está valendo. Se você não se contenta com a mediocridade, uma resposta rasa não lhe é suficiente, pois há por trás disso, um questionamento que não se contenta com qualquer coisa.

Mas super valorizamos as respostas e perdemos a qualidade de nossos questionamentos. consequentemente, vamos nos tornando incapazes de questionar.

Ora, pode haver alguma mudança sem questionamento?

Sobre a Percepção

Quando perguntamos para alguém o que é percepção, a resposta quase que geral é perceber. E está correta! Percepção é a forma de perceber aquilo que está à nossa volta, e para isso fazemos uso dos nossos sentidos. Os sentidos são as ferramentas que utilizamos para interagir com o mundo. Desde Aristóteles, culturalmente, elenca-se cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Há ainda aqueles que apontam um sexto sentido: a intuição (as mulheres são experts no assunto… kkk).

Porém, nem tudo é o que parece. Obviamente somos enganados por nossos sentidos, mas também conduzidos por eles para à luz do conhecimento. Ao olhar para a lua naquela noite estrelada a vemos tão pequena, mas claro que ela é bem maior do que o tamanho que a vemos. Ao ver duas pessoas cochichando e olhando para nós, logo deduzimos que estão falando da gente – e curiosamente, geralmente não pensamos coisas boas.

Daí a importância da percepção, pois os sentidos são as ferramentas. Porém, essas ferramentas devem ser bem utilizadas. Cá entre nós: ver e enxergar são coisas distintas; escutar e ouvir, comer e degustar, cheirar e sentir o aroma, tocar ou tatear, não se tratam de sinônimos exatos (bem, para o dicionário pode até ser, mas para a vida não).

Ouvir, todos os que possuem esse sentido são capazes; porém escutar tem se tornado cada vez mais raro – não à toa, hoje em dia, escutar é uma virtude.

Enxergar, basta ter o sentido da visão, mas ver é um exercício – e olha que tem muita gente que vê coisa onde não tem e não vê coisa onde tem… (brincadeira)

Na correria do dia, sequer temos direito de ter uma alimentação regular, que dirá saudável. Porém, se alimentar não pode ser um mero hábito biológico, mas deve ser encarado como um prazer – apreciar o alimento que se come, degustar cada sabor – elevando o nível do masterchef!

Quando você vai comprar um perfume, não pega o primeiro que está na prateleira – você escolhe aquele que mais gosta e se identifica – opa, eu falei, se identifica? Exato. Cada um se identifica com determinados aromas, ou seja, aqueles aromas identificam quem você é, por meio do perfume que exalam. E por um instante que seja, você potencializou o seu sentido do olfato para além do odor de transpiração ou daquele cheiro desagradável, mas apoderou-se de inspirar o suave perfume do aroma daquilo que lhe é agradável, apetecível e/ou identificável com sua personalidade.

Faça a experiência à noite, ao apagar as luzes do quarto. Até que sua visão se acostume, não será capaz de enxergar nada, mas não significa que os objetos saíram de lugar – eles estão ali. Mas você, por meio de apalpadelas, vai se dirigindo até a cama ou o banheiro, etc. Aí você pode até dizer que já tem memorizado o caminho. Certo. Mas para memorizá-lo, com certeza você passou por esse processo de tatear , ou de arrastar os pés no chão bem devagar. Ou quem nunca verificou o pó de uma mobília tateando o dedo nela? Interessante o quanto o sentido do tato é imprescindível para a relação amorosa entre as pessoas. Pelo toque de um para com o outro é possível perceber o amor.

A percepção é a libertação dos sentidos da esfera biológica. Ela é o meio pelo qual nossos sentidos se elevam e se mostram em sua maior potência, pois um gesto simples de enxergar uma paisagem , por exemplo, se transforma em um estágio de contemplação da natureza.

Perceber o mundo, a si mesmo, as pessoas à sua volta, à natureza, enfim… Exige uma elevação do espírito humano, enquanto humano, nessa escala evolutiva da vida sobe a terra.

Aumente seus níveis de percepção! #ficaadica

Uma nova visão

O filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980) não concebia uma natureza humana, mas sim uma condição humana de existência, ou seja, um conjunto de limites a priori concebidos para esboçarem a situação fundamental do sujeito no universo. Segundo ele, um desses limites a priori é a liberdade, visto que é o seu exercício que move o ser humano durante a sua breve existência. É ela, a liberdade, em seu exercício, que definirá o ser humano enquanto tal.

Se para o filósofo, a liberdade é o valor constituinte da condição humana, e seu exercício é o que o definirá enquanto tal, a máxima sartreana “Não importa o que fizeram de você, mas sim o que você faz com aquilo que fizeram de você”, então as inúmeras situações que passamos por nossas vidas devem, necessariamente, passar por uma ressignificação por nós mesmos. Ou seja, se trata de dar uma interpretação autoral para cada situação que vivenciamos – não se trata de simplesmente assumir aquilo que vem de fora como sendo seu, como situações impostas pela vida e pronto. Se elaborar é justamente a ressignificação de um trauma, a partir do momento que o exercício da liberdade conduz o ser humano à refazer/modificar aquilo que fizeram com ele, a passagem de um processo de heteronomia para a autonomia fica cada vez mais evidente. Neste ponto, convergem a psicanálise freudiana e o existencialismo sartreano.

A vida do sujeito pode ser marcada por diversos eventos, mas é imprescindível que esses eventos sejam postos à mesa e ressignificados. Definitivamente, cada um de nós deve exercer o direito de opinar sobre sua própria vida, deve ter o direito de se manifestar sobre si mesmo. Tem, não só o direito, mas o dever, de sair da platéia, ou de um papel coadjuvante de sua história para exercer o papel principal.

  • Vai ficar no anonimato em sua própria vida até quando?
  • Vai permitir que os outros ditem a sua vida até quando?

“Não importa o que fizeram com você, mas sim, o que você faz com aquilo que fizeram com você”

Você pode tomar uma postura conformista, uma postura de lamentação, uma postura de abstrair e seguir em frente, uma postura de reviravolta e transformar aquilo em uma potência em sua vida.

O que é o amor?

Os povos gregos da Antiguidade tinham uma concepção de amor mais desenvolvida do que a que temos hoje. Para eles, amor não é um conceito que abarca uma infinidade de gestos, atitudes, sentimentos, etc. Essa é a ideia que se tem hoje a respeito do amor. Um irá dizer que amor é sentimento, outro que é decisão racional consciente, outro que é afeto, outro que é atitudes, e assim por diante.

Para os gregos, amor não é amor, mas classificações dele. De antemão podemos entender o amor em, pelo menos, três esferas (expondo as mais significativas). A primeira dessas esferas se trata do amor enquanto Eros. Foi o filósofo Platão quem citou o Eros como a esfera do amor. Ele (Eros) é desejo, e conforme o filósofo, só se deseja aquilo que não se tem. Assim, a primeira esfera do amor é desejo. Se há desejo, há amor – ao passo que que falta desejo, falta amor. Aristóteles, outro filósofo grego e discípulo de Platão, já entendia o amor de uma forma diferente. Se para Platão amor era desejo (de forma a viver uma espécie de ausência daquilo), para Aristóteles o amor se trata de Philia. Ele a entendia como sendo uma relação não de desejo, mas de alegria e de contentamento. Se Eros é desejo, e só se deseja aquilo que não tem, Philia é alegria, júblio por aquilo que se tem. Estaria, portanto, Eros na esfera do privado, uma que o desejo quer privacidade, não ser revelado; e estaria Philia na esfera do público, ao passo que a alegria não se retrai, mas se expande. O desejo no escondido, a alegria no revelado.

De uma forma bem supérflua, diríamos que Eros abarca a esfera do romance, do erotismo, da paixão. Já Philia abrange a amizade, os relacionamentos entre pais e filhos, amigos. Mas há ainda um terceiro viés a mencionar: o Ágape. Os antigos entendiam ágape como um amor que transcende a materialidade, se trata de uma ligação de espírito – muito mais voltado para aspectos caritativos e de generosidade. Fazer um bem a outra pessoa é ter um gesto de amor voltado para o Ágape; construir uma amizade sincera e verdadeira (não coleguismo) volta-se para a Philia; estar envolto de desejo e ardendo de paixão por algo ou alguém é voltar-se para o Eros.  

Já ouvi pessoas dizendo que amor verdadeiro só amor de pai e mãe. Oras… Será que existe amor falso? Só o fato de ser falso, já não é amor. Concorda? Não gostaria de entrar em aspectos religiosos nesse texto. Basta dizer que entre casais que se apaixonam existe amor sim; entre amigos verdadeiros, há amor sim; entre gestos de gratidão, reconhecimento, acolhimento e caridade, há amor sim. Cada um mediante uma esfera daquilo que se entende por amor. Um casal, por exemplo, que não se deseja, como dizer que se amam? Um casal que não se alegre na companhia do outro, como dizer que se amam? Um casal onde um não é capaz de fazer algo extraordinário por outro, como dizer que se amam?

O amor vai muito além daquilo que imaginamos. Falando do meu ponto de vista, se retirar o amor da vida, extingue-se a própria vida. Afinal, o amor é o grande motor que movimenta a vida humana, nas suas mais diversas maneiras de vivenciá-lo.

E você, o que acha disso?