Procusto: personagem da mitologia grega que oferecia hospedagem aos viajantes da região serrana de Elêusis.
Em sua casa, convidava os hóspedes a se deitarem em sua cama. Ocorre que a cama era exatamente do seu tamanho. Caso o hóspede fosse menor, ele o esticava, caso fosse maior, ele cortava os pés ou a cabeça para o tamanho exato da cama.
Esse mito encontra-se na saga de Teseu.
Reflete muito a condição que algumas pessoas sentem quando são contrariadas ou preteridas, ou até mesmo quando se sentem inferiorizadas – elas acabam por matar os outros (psicologicamente falando) caso não se encaixem perfeitamente aos seus pontos de vista.
Infelizmente, vivemos tão presos a uma rotina ou alienados em um mundo automatizado, que perdemos diversos insights ao longo de nossa breve existência.
Sinceramente, a vida passa tão rápido para ser vivida de qualquer jeito, não é mesmo?
Estamos como que habituados ou aprisionados a um modelo de vida que sequer temos força, ou curiosidade, para enxergar além daquilo. Os filósofos costumam elencar três etapas fundamentais para que ocorra uma atitude filosófica:
O Estranhamento;
O Questionamento;
O Discurso;
E do jeito que a vida está (pelo menos tem sido), pouco nos importamos com as perguntas, e queremos logo as respostas. Contudo, acredito que não são as respostas que possuem o poder de mudar as coisas, de mudar a vida – são as perguntas. E quanto melhor for a qualidade de sua pergunta, maior será a exigência da qualidade da resposta.
Se você se contenta com pouco, uma resposta que satisfaça ali (mesmo que não seja a melhor) já está valendo. Se você não se contenta com a mediocridade, uma resposta rasa não lhe é suficiente, pois há por trás disso, um questionamento que não se contenta com qualquer coisa.
Mas super valorizamos as respostas e perdemos a qualidade de nossos questionamentos. consequentemente, vamos nos tornando incapazes de questionar.
Ora, pode haver alguma mudança sem questionamento?
No ano de 1949, ainda sob os grandes efeitos da segunda mundial, foi publicada a 1ª edição da obra de George Orwell, 1984. Se trata de uma grande obra de literatura distópica que se tornou muito influente no século XX como uma forma de reflexão sobre os regimes totalitários.
A sociedade retratada pelo livro é uma sociedade onde as pessoas são controladas de várias formas possíveis (seja pelo idioma, pelo monitoramento, pelas expressões, pelos fatos, pelas próprias pessoas). As tais ‘teletelas’ instaladas nos domicílios, nos ambientes de trabalho, nas ruas captam todos os movimentos, funcionam como um tipo de vigia sobre as pessoas, mas também como influenciador (uma vez que exibia a programação que as pessoas deveriam assistir). Nada fica fora aos olhos do ‘grande irmão’. Contrariar o partido é uma sentença de desaparecimento, ou seja, a pessoa simplesmente desaparece (não só morre – todos os vestígios de que ela existiu são apagados).
Apesar de os 3 continentes existentes no livro serem autossuficientes, o estado de guerra é de suma importância para o controle funcional da população. O sentido de guerra, da união, da Pátria não só enobrece a pessoa, como traz um sentido, um porquê, um para quê, tal que une as pessoas em um só propósito.
Os grandes, que são a ‘nata’, fazem parte do governo e controlam tudo. Aqueles que trabalham para o governo são os mais controlados – não podem, de modo algum, contrariá-lo. Curiosamente, o protagonista do livro (Winston), trabalha no Ministério da Verdade cuja responsabilidade é alterar os fatos em favor do governo (as fake news). Além disso, há os ‘proletas’, que ficam mais livres, uma vez que são ignorantes e muito fáceis de serem manipulados – eles simplesmente aceitam, vivem extremamente alienados, apenas obedecem.
Muito intrigante o fato de que o líder, aquele que simboliza o governo, é o ‘grande irmão’. Não se sabe ao certo se existe ou não a pessoa do grande irmão, mas a figura é fundamental para a sobrevivência do governo em seu status quo. A pessoa não é tão importante em si, mas sim, o que representa a figura do grande irmão, do inglês, Big Brother.
Na realidade retratada pelo livro, valores das liberdades individuais: ir e vir, pensamento e expressão, não existem. A vigilância é total. O paralelo entre a obra de George Orwell e o pensamento de Michel Foucault é inegável. A obra ‘Vigiar e Punir’ mostra o modelo de punição até o século XVIII baseado num ato físico a servir de exemplo aos demais; a partir do século XVIII as punições são disciplinadoras. São formas domesticadoras, que não agridem o aspecto físico, mas de modos racionais. A prisão panapnótica é um exemplo disso, onde os presos são vigiados a todo momento, mas não são capazes de ver aqueles que os vigiam – ou seja, aquele que vê, tem o controle sobre aquele que não vê. Infelizmente, Foucault mostra que esse modelo de vigilância pan-óptico não se restringe ao âmbito prisional, mas vai além para a vida de cada indivíduo –
todos estão sendo vigiados a todo momento, todos estão sendo controlados, de modo bem sutil, de forma a não perceberem o controle exercido sobre si, por meio de dispositivos de disciplina.
Essa noção narrada na literatura de Orwell ou refletida sobre Foucault nos trazem uma enorme angústia. Achamos que temos liberdade asseguradas, que somos senhores de nós mesmos, quando, ao invés disso, mais parece que somos controlados e vigiados. Somos monitorados por meio de documentos, de imposto de renda, de prontuários, de horário fixados para comparecimento, controle de horário de trabalho, resultados de testes realizados para provas e/ou concursos, etc. Há tantos modos de sermos vigiados. Ao termos a nossa liberdade afetada imediatamente nos sentidos roubados, lesados, e assim por diante. Se por um lado, a vigilância e controle nos afetam de forma negativa, quantos mais somos enxergados pela sociedade, parece que mais importância agregamos ao nosso ego. Não aprovamos se somos vigiados, mas aprovamos cada curtida em nosso perfil da rede social. Fenômeno que explicita a sociedade do espetáculo na qual vivemos, para citar Guy Debord.
As pessoas vivem se expondo, expondo a sua intimidade, o seu modo de viver, de pensar, de falar, etc. E quanto mais audiência tiver, melhor será. Mas se vigiado, sem a anuência da pessoa, evoca ao prejuízo da liberdade do indivíduo. Quer dizer, gostamos de nos expor, mas não gostamos de ser expostos. Outro fato é que as pessoas que acabam sendo ‘as mais curtidas’ se tornam influenciadores de outras pessoas – essas querem ser como aquelas. O espetáculo da vida de um, vista pelos milhares de grandes irmãos, vira referência para os observadores – ao mesmo tempo, o influencer mostra aquilo que os observadores querem ver, a fim de manter a audiência.
Voltamos à ideia de Foucault, de que aquele que vê possui o poder. Sejam nas redes sociais, ou na vida cotidiana, vivemos nesse embaralhamento do ‘ser visto’ e ‘ver’. Somos observadores e somos vigiados. A primeira nos agrada, a segunda nos apavora.
Quando perguntamos para alguém o que é percepção, a resposta quase que geral é perceber. E está correta! Percepção é a forma de perceber aquilo que está à nossa volta, e para isso fazemos uso dos nossos sentidos. Os sentidos são as ferramentas que utilizamos para interagir com o mundo. Desde Aristóteles, culturalmente, elenca-se cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.
Há ainda aqueles que apontam um sexto sentido: a intuição (as mulheres são experts no assunto… kkk).
Porém, nem tudo é o que parece. Obviamente somos enganados por nossos sentidos, mas também conduzidos por eles para à luz do conhecimento. Ao olhar para a lua naquela noite estrelada a vemos tão pequena, mas claro que ela é bem maior do que o tamanho que a vemos. Ao ver duas pessoas cochichando e olhando para nós, logo deduzimos que estão falando da gente – e curiosamente, geralmente não pensamos coisas boas.
Daí a importância da percepção, pois os sentidos são as ferramentas. Porém, essas ferramentas devem ser bem utilizadas. Cá entre nós: ver e enxergar são coisas distintas; escutar e ouvir, comer e degustar, cheirar e sentir o aroma, tocar ou tatear, não se tratam de sinônimos exatos (bem, para o dicionário pode até ser, mas para a vida não).
Ouvir, todos os que possuem esse sentido são capazes; porém escutar tem se tornado cada vez mais raro – não à toa, hoje em dia, escutar é uma virtude.
Enxergar, basta ter o sentido da visão, mas ver é um exercício – e olha que tem muita gente que vê coisa onde não tem e não vê coisa onde tem… (brincadeira)
Na correria do dia, sequer temos direito de ter uma alimentação regular, que dirá saudável. Porém, se alimentar não pode ser um mero hábito biológico, mas deve ser encarado como um prazer – apreciar o alimento que se come, degustar cada sabor – elevando o nível do masterchef!
Quando você vai comprar um perfume, não pega o primeiro que está na prateleira – você escolhe aquele que mais gosta e se identifica – opa, eu falei, se identifica? Exato. Cada um se identifica com determinados aromas, ou seja, aqueles aromas identificam quem você é, por meio do perfume que exalam. E por um instante que seja, você potencializou o seu sentido do olfato para além do odor de transpiração ou daquele cheiro desagradável, mas apoderou-se de inspirar o suave perfume do aroma daquilo que lhe é agradável, apetecível e/ou identificável com sua personalidade.
Faça a experiência à noite, ao apagar as luzes do quarto. Até que sua visão se acostume, não será capaz de enxergar nada, mas não significa que os objetos saíram de lugar – eles estão ali. Mas você, por meio de apalpadelas, vai se dirigindo até a cama ou o banheiro, etc. Aí você pode até dizer que já tem memorizado o caminho. Certo. Mas para memorizá-lo, com certeza você passou por esse processo de tatear , ou de arrastar os pés no chão bem devagar. Ou quem nunca verificou o pó de uma mobília tateando o dedo nela? Interessante o quanto o sentido do tato é imprescindível para a relação amorosa entre as pessoas. Pelo toque de um para com o outro é possível perceber o amor.
A percepção é a libertação dos sentidos da esfera biológica. Ela é o meio pelo qual nossos sentidos se elevam e se mostram em sua maior potência, pois um gesto simples de enxergar uma paisagem , por exemplo, se transforma em um estágio de contemplação da natureza.
Perceber o mundo, a si mesmo, as pessoas à sua volta, à natureza, enfim… Exige uma elevação do espírito humano, enquanto humano, nessa escala evolutiva da vida sobe a terra.
Você se considera uma pessoa mais emocional ou racional? Age mais pela razão ou pela emoção?
Costumam relacionar razão com o cérebro e emoção com o coração. Infelizmente, se trata de um equívoco. Graças aos avanços da neurociência, hoje podemos dizer que tanto o pensamento lógico quanto as emoções são originadas no cérebro.
Independente disso, há pessoas dizem ser racionais; outras emotivas. Obviamente, podemos perceber traços de raciocínio lógico mais apurados em uns que em outros, bem como notar traços de emoção mais apurados em outros. Pessoas com raciocínio mais lógico tendem a exercer atividades voltadas para a ciência e engenharias; já aquelas que se consideram mais emotivas tendem para às artes, linguagem, atividades físicas. Seria a divisão entre exatas/biológicas e humanas.
Existe um perigo escondido nessa nomenclatura entre ser um ou outro, entre razão e emoção, entre exatas e humanas… Justamente o perigo da polarização. Ninguém é puramente racional e ninguém puramente emotivo. Ninguém é capaz de tomar todas as suas decisões e agir conforme sua razão, caso contrário não seria um humano, seria um robô programável. Contrapartida, ninguém age somente pela emoção, sem qualquer dose de razão.
Não podemos imaginar um reinado absoluto da razão, nem um reinado absoluto da emoção. As nossas tendências, os nossos gostos, aquilo que fazemos refletem muito de quem somos. Mas veja que não somos o que fazemos – fazemos o que somos. Se sou mais emotivo, claro que meu jeito e minhas decisões serão fundadas em um aspecto diferente se fosse mais racional e vice-versa.
A grande chave para abrir as portas de nosso interior e melhor vivência conosco e os que fazem parte da nossa vida, é justamente encontrar esse ponto de gravidade, esse ponto de equilíbrio entre o racional e o emocional.
Não podemos agir pela razão somente, e nem pela emoção somente. Tem que haver uma dose de equilíbrio, a fim de que também nossa vida seja equilibrada. Um bom exemplo é uma carroça. A emoção seria o cavalo que a puxa e a razão o peso dessa carroça. Se a carroça estiver muito leve, o cavalo sai desgovernado, se a carroça estiver muito pesada, a cavalo empaca.
Equilibrar emoção e razão é essencial para o nosso bem-estar. Um pouco de inteligência emocional para todo não faz mal a ninguém, não é mesmo?
No meio do caminho tinha uma pedra . Carlos Drummond de Andrade assim escreve em seus versos.
Sempre há uma pedra no caminho, seja pequena ou grande. Mas, por curioso que seja, as pedras pequenas são as mais fáceis de nos fazer tropeçar, uma vez que tendo visto a pedra grande inevitavelmente nos desviamos; porém, ao não avistar a pedra pequena… Enfim, tropeçamos.
Pedras grandes e pedras pequenas sempre haverão em nossos caminhos. Ocorre que damos muita importância para as grandes, as maiores… Quanto maiores as pedras mais chamam a nossa atenção. Somos hipnotizados pelas grandes coisas e cegos pelas pequenas.
As pequenas pedras, sabe, as pequenas coisas que encontramos no caminho da vida são as mais que, realmente, causam impacto em nossa vida e em nossa história. Focamos aquilo que é apenas passageiro, que com um simples desviar passamos em frente, e nos esquecemos dos pequenos detalhes da vida que fazem a real diferença em nossa história…
Quantos detalhes? Quantas pequenas parcelas significativas não foram tratadas como insignificantes?
Infelizmente, na vida não se volta atrás… Não é possível voltar no tempo cronológico, apenas na memória ou naquele sentimento nostálgico. E esses detalhes vão passando, passando e passando. Aquilo ficou e não volta mais. E o que era importante já não é mais. Passou!
O que fica? O que resta é aquele sentimento nostálgico ou aquela saudade; aquele sentimento de culpa ou arrependimento. Mas ficar preso no passado não nos leva adiante, apenas podemos nos preparar para lidarmos melhor com aquelas pedras que encontraremos em nosso caminho.
Lembre-se que as pedras podem ser usadas, também ara construir, e não somente para destruir. Não se trata de um obstáculo, somente, mas sim como superação. Uma pedra pode ser utilizada para algo bom ou ruim. Que tal pegar as pedras no seu caminho e construir um incrível castelo, onde sua alma poderá se abrigar com aquilo que realmente é valioso para você?
Há inúmeros super-heróis no mundo da fantasia, com tantos poderes. Cada um com suas habilidades, que usando para o bem, vencem os inimigos e salvam o mundo de uma destruição calamitosa.
No mundo da fantasia é tudo perfeito. O super-herói, por mais dificuldades que venha a enfrentar, sempre vence.
Na vida real, fora do mundo da fantasia, há tantos outros super-heróis: há aquele que acorda de madrugada para enfrentar as dificuldades do seu dia a dia; há aquela pessoa que tem o dever de cuidar de uma criança e ensinar sobre bondade e generosidade num mundo cada vez mais egoísta; há aqueles que lidam com o sofrimento alheio e sentem seu coração despedaçar mediante a dor do outro; há aqueles que aguentam humilhações e mais humilhações por conta de um salário de miséria; os que enfrentam horas de espera em uma fila para um atendimento nada satisfatório, e tantos outros super-heróis do dia a dia, do cotidiano. Poderia citar tantos exemplos…
Infelizmente gostaria de dizer que você, por mais que lute, não é um super-herói como aqueles dos quadrinhos; você é um ser humano.
Sabe aquele ser humano que precisa se alimentar (claro), que precisa pagar as contas, educar os filhos, cumprir com as exigências e expectativas sociais… Você é esse ser humano, mas também aquele ser humano que precisa olhar no espelho e se perceber uma pessoa que também é necessitada de si. Você precisa descansar, respirar, meditar, precisa amar e ser amado, precisa se divertir… Você não é um super-herói que deve estar sempre à disposição para salvar a todos, você tem limites!
Você é simples e complexo; áspero e delicado; único e coletivo; nascido para amar e ser amado; um ser que se sente imbatível e impotente, enfim…
Você é assim. Um ser humano que acerta e que erra; que sabe e que não sabe; que faz e que não faz. Além de tudo isso, e acima de tudo isso, você é um ser humano que pensa e que sente.
Você já se sentiu a si mesmo por dentro? Você já parou alguma vez para reconstruir os cacos que ficaram quebrados e que estão jogados dentro de ti? Você já percebeu e já se deu o valor inestimável que você pode se dar?
Cuide-se! Nos sobrecarregamos com tantas e tantas coisas que acabamos nos perdendo de nós mesmos, das pessoas que que amamos e que nos amam, e das atividades que gostamos de fazer.
Afinal, a vida é um breve tempo na terra. Não vale a pena vivê-la de modo apressado ou ligado no piloto automático!
Essa frase é do dramaturgo Plautus (séc III a.C) que se tornou célebre por conta do filósofo inglês Thomas Hobbes que fora inserida em sua famosa obra ‘Leviatã”.
Dizer que o homem é o lobo do homem é afirmar que o maior inimigo do homem é o próprio homem. Hobbes faz essa referência pois quer alertar que, segundo sua filosofia, o ser humano é um ser egoísta, que só pensa, em primeiro lugar, satisfazer suas necessidades e vontades, mesmo que para isso seja necessário passar por cima do outro. O ser humano é mau, em sua origem, em seu princípio.
Certamente já nos deparamos com pessoas assim, egoístas que só pensam em si, que pouco se importam com as necessidades dos outros. Parece não ser um mal social ou fruto do capitalismo. Segundo o nosso filósofo, o ser humano é egoísta e pronto. Há pessoas que insistem em gravitarem sobre si mesmas, ou ainda aquelas que exigem que os outros gravitem ao seu redor… o mundo deve girar ao redor delas, tudo deve estar em função delas, e assim por diante.
Obviamente, essa é a visão de nosso autor (que não está de todo errado). Por outro lado, podemos encontrar pessoas também que fazem a diferença na vida dos outros, que deixam sua marca de modo positivo na vida das pessoas… Há aquelas que não fazem questão da luz do sol, mas se realizam com o brilho da lua (se é que me entende). Pessoas boas de coração que com um simples gesto parecem ter o poder de transformar uma avalanche de emoções negativas em uma brisa leve e tranquila de serenidade.
Pessoas assim, de fato, são cativantes. Que nos mostram não o lado ruim da humanidade, mas o lado bom. Mostram que há chance, que é possível ainda acreditar.
Da mesma forma que existem pessoas assim, capazes de despertar o lado bom da vida, existe em cada um nós potencial para que também despertemos em nós e nos outros essa visão positiva da vida.
É fácil falar em lado bom da vida quando tudo está bem, mas falar sobre as coisas boas quando tudo parece estar ruindo é um desafio e tanto. Mas, sinceramente, focar aquilo que está dando errado, faz com que deixemos de olhar para aquilo que pode dar certo (ou que já está dando).
Às vezes permitimos que algo que não deu certo em um minuto, estrague as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos restantes do dia.
Pergunte a si mesmo se não vale mais a pena ver o lado bom da vida. Vai lá… O poder que tem um sorriso, um abraço, uma palavra, um gesto é inestimável!
O bom da vida é ser feliz. Então seja. Seja feliz do seu jeito, não do jeito dos outros. Cada um tem seu eito, seu modo, sua maneira, sua possibilidade de ser feliz. Não se lamente pelo que você não tem, mas celebre pelo que tem. Veja o lado bom da vida, a presença e não a ausência. Não seja preso ao que te frustrou, ou ao que chateou, ou ao que não deu certo.
Já reparou como as pessoas são lindas, maravilhas, vivem vidas excepcionais? Não? Pois repare nas redes sociais, tudo é perfeito, lindo e maravilhoso. Cada um vive uma vida digna de aplausos. Nas redes sociais parece ser tudo um conto de fadas, todos são modelos, todos são talentosos, todos são (de alguma forma) pessoas que devem ser notadas.
As pessoas postam o que querem, ora mudando uma coisinha aqui outra ali, para sair perfeita a postagem. Aí nos apaixonamos pelo modo de vida daquela pessoa, nos apaixonamos pelo estilo de roupa, pela maquiagem, pelas belas palavras que são postadas, pela rotina, pelas fotos (diga-se de passagem, é cada uma mais linda que a outra). Enfim, deu para entender… Nas redes sociais é tudo tão lindo que nos apaixonamos por aquilo que as pessoas postam (mesmo que essa postagem seja mais artificial que natural).
O amor tem uma certa semelhança com esse processo. Quando nos apaixonamos por alguém, na realidade e não na virtualidade, nos apaixonamos pelas virtudes dela, pelas coisas boas, nos inspiramos, nos realizamos, nos satisfazemos em estar com aquela pessoas por tantas e tantas qualidades – vemos somente os arquétipos que criamos em nós mesmos. Mas como nem tudo é um conto de fadas, com o tempo começam a aparecer não só as virtudes, mas os vícios, os defeitos, aquela ideia contrária, aquela atitude que foi estranha a nós, aquele gesto, aquela palavra que desagradaram, e assim por diante. Quando ocorre a pessoa começar a notar os ‘defeitos’ da outra pessoa, é como se esses defeitos fossem minando o amor que estava brilhando nos olhos do amante, e são ofuscados pelas gritantes não qualidades do amado.
Pois é…
Amamos o mundo, amamos a natureza, amamos a Terra. Mas amamos o lixo que está na terra? Quando falamos que amamos a natureza, está incluso os malditos pernilongos? Você seria capaz de fazer um piquenique num lixão e apreciar a paisagem? Acho que não!
Concorda então, que amar as qualidades de alguém é tão fácil, mas que amar seus defeitos é um esforço hercúleo? A essa atitude de poder contemplar a pessoa (com suas virtudes e defeitos) e ainda assim, querer estar ao seu lado, é o que chamamos de amor!
E aí? Já amou alguém ou o que aquela pessoa tinha a oferecer?
Sabe, estava pensando sobre como vários relacionamentos se desgastam ao longo do tempo. Um dos motivos mais cruciais para esse desgaste, ao meu ver, é justamente a falta de diálogo.
Quantos casais que moram juntos, sob o mesmo teto, mas que se encontram tão distantes um do outro? Pois é. Infelizmente não é raro de se ver essa cena.
Não me considero uma pessoa religiosa, mas acho aquele trecho bíblico do ‘serão uma só carne’, algo fantástico. A relação a dois, para se sustentar no ‘serão uma só carne’, passa, necessariamente, pelo diálogo (dentre outros pontos a serem elencados). Ao faltar diálogo, falta o entendimento entre duas pessoas diferentes, que cresceram com costumes diferentes, com ideias diferentes, com sentimentos diferentes, etc…
O diálogo, e nesse caso só ele, é a chave de ignição para o entendendo entre duas pessoas diferentes se tornarem ‘uma só carne’, mesmo permanecendo duas pessoas distintas.